expresso.ptexpresso.pt - 16 mar 16:37

Tomás Correia afirma que seguro do Banco Montepio inclui pagamento da coima

Tomás Correia afirma que seguro do Banco Montepio inclui pagamento da coima

Em entrevista à TSF e ao Dinheiro Vivo, Tomás Correia afirma que o seguro do Montepio inclui pagamento da sua coima. Carlos Tavares, chairman do banco disse ao Expresso que seguro só cobre custas judiciais e honorários com advogados. Alguém está enganado

O atual presidente da associação do Montepio, Tomás Correia - condenado a uma coima de €1,25 milhões de euros, num processo de contraordenação do Banco de Portugal por sete ilícitos cometidos entre 2009 e 2014 quando presida ao banco -, quando questionado sobre se o seguro do Montepio (banco) inclui o pagamento da sua coima, na resposta ao Dinheiro Vivo/TSF afirma: "Inclui. Se algum dia vier a ser aplicada, que não vai ser".

O que é contraditório com o que foi dito pelo chairman do banco, Carlos Tavares no inicio da semana e confirmado ao Expresso em fevereiro, quando o tema sobre o pagamento das coimas veio a público.

Na entrevista, Tomás Correia explicou mesmo que "todas as empresas constituem seguros", e especifica: "Fazem-no porque a possibilidade de se cometer um erro na gestão corrente é tal ordem que se todos estivermos sujeitos a uma coisa destas, o bom o dinheiro que ganhei em termos líquidos no Montepio não chega para pagar a coima".

Esta afirmação contradiz o que o chairman do Banco Montepio afirmou na conferência de imprensa de apresentação de contas relativas a 2018, segunda-feira, dia 11 de março.

"Não será o banco a pagar as coimas aos ex-administradores", esclareceu Carlos Tavares, referindo-se aos que foram condenados pelo Banco de Portugal, reafirmando o que o banco já havia respondido ao Expresso em Fevereiro.

Estava a referir-se ao ex-presidente do banco até 2015, Tomás Correia e a mais sete ex-administradores da sua equipa.

Aliás, Tavares disse também que o Banco Montepio vai recorrer da coima que lhe foi aplicada (2,5 milhões de euros) e para isso fez até uma provisão para esse efeito - sublinhando não o ter feito para as coimas aplicadas aos restantes ex-administradores, por entender que não tem de as pagar.

Afirmou, contudo, que que as custas judiciais e os encargos com as defesas dos ex-administradores são pagas pelo banco que depois acionará o seguro que tem para estes casos. "Vamos acionar o seguro", afirmou Carlos Tavares.

Porém, Tomás Correia volta a contradizer o chairman do banco: "Claro, nem tem de provisionar", respondeu, depois de questionado sobre se o banco tinha de provisionar o valor para a coima. "Porque está incluído no seguro", acrescentou. Incluindo a sua coima?, insistiu a jornalista. " Incluindo a minha coima, se algum dia vier a ser aplicada e não vai ser", reafirmou Tomás Correia.

11
1