observador.ptRui Ramos - 15 mar 02:00

Não se riam do Reino Unido, para o resto do mundo não se rir de vós

Não se riam do Reino Unido, para o resto do mundo não se rir de vós

O Brexit revelou os limites da democracia numa Europa perplexa perante um mundo que lhe escapa. Não se riam do Reino Unido, para o resto do mundo não se rir de vós.

Tudo deveria ter sido muito simples: os cidadãos do Reino Unido votaram para deixar a União Europeia, o governo invocou o artigo de saída, a data ficou marcada, e no próximo dia 29 o Reino Unido deveria sair da UE. Acontece que provavelmente não vai sair. Nem no dia 29, nem, também provavelmente, em qualquer data próxima. Afinal, nada era simples. Uma das razões invocadas para justificar a saída — a soberania parlamentar – tornou-se rapidamente uma das razões para essa saída ser difícil: afinal, não bastava o referendo, o parlamento também tinha de votar. Pior: também muito rapidamente, descobriu-se que o voto pela saída não definira qual o tipo de saída. Mais ainda: a maioria de 2016 começou a parecer demasiado curta e circunstancial para não poder ser revertida em novo referendo. E eis como, ao fim de dois anos, estamos quase no princípio, com o Brexit a ameaçar tornar-se uma doença crónica da UE.

Há quem culpe Theresa May, demasiado fraca, e há quem culpe os brexiteers, demasiado intransigentes com qualquer acordo. Há quem culpe Jeremy Corbyn, apostado em usar o Brexit para precipitar novas eleições. E há quem, claro, culpe Bruxelas, tentada a fazer do Reino Unido um exemplo de como, na integração europeia, a porta de saída é a porta para o inferno. Todas essas acusações terão algum fundamento. Nenhuma, porém, captura a verdadeira dificuldade.

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