expresso.ptexpresso.pt - 14 fev 00:12

Corbyn sujeita-se a enfrentar onda de demissões se não apoiar oficialmente a hipótese de um segundo referendo

Corbyn sujeita-se a enfrentar onda de demissões se não apoiar oficialmente a hipótese de um segundo referendo

Pelo menos 10 dos seus ministros-sombra ponderam afastar-se, escreve o “The Guardian”

Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista britânico, pode ter que substituir, em breve, pelo menos 10 dos seus ministros-sombra, que ameaçam demitir-se caso não apoie oficialmente a realização de um segundo referendo, segundo informações recolhidas pelo diário britânico “The Guardian”. Corbyn, com um passado político quase todo de militância na esquerda mais dura, não é um fã da União Europeia e tem dito muitas vezes que quer encontrar uma saída para o Brexit que não coloque em causa a escolha que os britânicos já fizeram, no referendo de junho de 2016.

Alguns dos seus ministros-sombra querem que Corbyn movimente a máquina trabalhista e coloque a tónica nessa opção, que deverá ser discutida no parlamento daqui a duas semanas, segundo confirmaram os próprios ao “The Guardian”.

Um parlamentar trabalhista, Geraint Davies, apresentou uma emenda tentando antecipar o ponto crítico da liderança trabalhista, pedindo um referendo sobre o acordo. Esta proposta, apresentada esta quarta-feira, será discutida e votada na quinta-feira. Na declaração de intenções, Davies disse que esta emenda ajudaria a construir uma onda de apoio a um referendo ao acordo da primeira-ministra, Theresa May, documento que tem sido a fonte de toda a discórdia tanto entre trabalhistas como entre conservadores.

Phil Wilson and Peter Kyle são mais duas vozes que reprovam a conduta de Corbyn e propuseram, há uma semana, que a aprovação do acordo de May pelo parlamento estivesse sujeita à imediata realização de um referendo para que o público possa também dizer se apoia ou não as novas regras da relação do Reino Unido com a União Europeia. “É aí que está toda a ação por estes dias”, disse um trabalhista descontente ao “The Guardian”.

Também Clive Lewis, ministro-sombra das Finanças e Chi Onwurah, do comércio, vão falar num evento - “Love Socialism, Hate Brexit” - promovido por um grupo que defende um segundo referendo, o Another Europe is Possible (Uma Outra Europa é Possível).

Há quem não queira ouvir falar de uma segunda consulta como é o caso de Len McCluskey, secretário-geral de um dos maiores sindicatos do Reino Unido, o Unite. "É uma ameaça para toda a estrutura democrática em que operamos. Na realidade, não é a melhor opção para a nossa nação”, disse em entrevista à ITV.

Neil Coyle é um dos trabalhistas mais descontentes e disse recentemente aos jornalistas que “o ‘Labour’ está a perder membros, representantes locais e vai perder deputados por culpa do seu posicionamento político em relação ao Brexit”.

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