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Consumo das famílias e exportações travam economia no final de 2018

Consumo das famílias e exportações travam economia no final de 2018

Greves portuárias atrapalham quarto trimestre. Turismo cresce, mas bem abaixo dos ritmos explosivos do passado. INE revela hoje PIB de 2018.

O consumo das famílias e as exportações terão sido os principais travões da economia na reta final de 2018, fazendo com que o ritmo de crescimento real do produto interno bruto (PIB) baixe para entre 1,8% a 2% no quarto trimestre do ano, indicam as análises de alguns economistas que seguem a conjuntura nacional.

Em suma, acredita-se que o Instituto Nacional de Estatística (INE) anuncie esta quinta-feira que a economia cresceu a um ritmo próximo de 2,1% em 2018 como um todo, ligeiramente abaixo dos 2,3% que o Governo previa em outubro, no Orçamento do Estado de 2019.

Portanto, anualmente a economia deve abrandar de forma visível de 2,8% em 2017 para 2,1% em 2018. Este último valor coincide com a estimativa da Comissão Europeia divulgada há uma semana. Em dezembro, o Banco de Portugal apontou para o mesmo número.

Certo é que a economia está a perder gás e a tendência é para isso prolongar-se em 2019. Bruxelas vê a economia a crescer apenas 1,7% este ano, a pior marca desde 2014.

“Ambiente negativo no comércio internacional”

O Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP) da Universidade Católica de Lisboa “estima que, no quarto trimestre de 2018, o PIB tenha crescido apenas 0,5% em cadeia e 1,8% face ao período homólogo”.

O gabinete de estudos da Católica fala de “uma trajetória de crescimento moderado após os registos de 0,3% em cadeia e 2,1% na variação homóloga do terceiro trimestre”. E diz que “no conjunto de 2018, Portugal deverá ter crescido 2,1%, após 2,8% em 2017”, com a taxa de desemprego a fixar-se em 7% da população ativa.

Em termos de dinâmica trimestral, prevê que “o investimento poderá ter acelerado no quarto trimestre” de 2018, mas que “as exportações poderão ter voltado a contrair, tal como no trimestre anterior, penalizadas pelo ambiente negativo no comércio internacional”.

Relativamente ao consumo privado (das famílias), este terá quase estagnado face ao terceiro trimestre. Em termos homólogos, o INE pode anunciar um abrandamento notório de 2,3% no terceiro trimestre para 1,7% na reta final de 2018, estimam os analistas da Católica.

O Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) está mais otimista, mas não muito, e as razões que explicam a perda de gás no final de 2018 são as mesmas. Diz que a economia portuguesa terá crescido 2% em termos homólogos nos últimos três meses de 2018 e que a média anual ficará nos 2,2%.

As greves portuárias

Tal como a Católica, o gabinete de estudos do ISEG espera “que o quarto trimestre tenha registado um crescimento mais forte da formação bruta de capital fixo [investimento], sendo mais incerto se o crescimento acelerou no consumo privado”.

A procura externa líquida (saldo entre exportações e importações) teve uma evolução “globalmente negativa” no conjunto de outubro e novembro. “É provável que tenha ocorrido alguma correção em dezembro, mas a contribuição trimestral para o crescimento real do PIB desta deverá permanecer negativa”, acrescenta.

O ISEG diz, por exemplo, que “o saldo externo nominal tornou-se bastante negativo em novembro, em parte devido ao impacto negativo nas exportações de uma greve portuária”, que pode ter afetado a exportação de carros (caso da Autoeuropa).

Para o gabinete de estudos do BPI, “tudo indica que, no conjunto de 2018, a economia portuguesa terá crescido de forma estável acima dos 2%”.

No entanto, refere que há “uma contenção natural do crescimento à medida que a economia entra numa fase mais madura do ciclo, além de sentir o efeito da desaceleração das principais economias vizinhas numa economia aberta ao comércio como é a portuguesa”.

O abrandamento da procura externa é a maior preocupação comum às diversas análises.

Para os economistas da Católica, “é na frente externa que residem grande parte dos riscos que incidem sobre a economia portuguesa”. Eles são “predominantemente descendentes, agora mais centrados nos efeitos sobre a economia europeia da incapacidade em se encontrar uma solução pragmática para o problema do Brexit e também na escalada do protecionismo”.

“Setor turístico continua sem recuperar”

O BBVA Research considera que o setor do turismo, embora em expansão, possa estar a fazer abrandar a economia depois de anos de crescimentos explosivos.

Para os analistas do banco espanhol, o último trimestre de 2018 pode ter fechado com uma nova queda trimestral das exportações. Falam de um “retrocesso das vendas de veículos, aviões e outros equipamentos de transporte” e repara que “o setor turístico continua sem recuperar”.

“Depois de crescimentos interanuais numa média em torno de 10% em 2017, nos três primeiros trimestres de 2018 não atingiu sequer 3%”, observam.

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