expresso.ptexpresso.pt - 13 fev 22:32

Proprietário do terreno onde morreu Julen vai responder em tribunal pelo crime de homicídio por negligência

Proprietário do terreno onde morreu Julen vai responder em tribunal pelo crime de homicídio por negligência

Isto significa que o proprietário do terreno em Totalán, Málaga, é o único ao qual poderá vir a ser imputada uma pena, já que as restantes pessoas chamadas a tribunal, entre as quais se encontra o empresário responsável pelo furo, António Sánchez, vão ser ouvidas como testemunhas do caso

O dono do terreno onde se localiza o poço em que morreu Julen, de dois anos, vai responder em tribunal pelo crime de homicídio por negligência. A informação foi confirmada pelo advogado do proprietário, David Serrano.

Isto significa que o dono do terreno em Totalán, Málaga, é o único ao qual poderá vir a ser imputada uma pena, já que as restantes pessoas chamadas a tribunal — entre as quais se encontra o empresário responsável pelo furo, António Sánchez, Mario H., que teria sido encarregado de fazer uma vala junto à perfuração, os pais de Julen, quatro guardas civis e voluntários que ajudaram nas buscas — vão ser ouvidas como testemunhas.

Depois de estudar todos os documentos e relatórios relacionados com o caso, o Ministério Público espanhol acredita que já se podem “definir várias hipóteses” sobre o que aconteceu antes da queda da criança de dois anos no poço e, assim, “perceber se há ou não responsabilidade criminal”. Embora a decisão não tenha sido uma surpresa para Antonio Flores, advogado de David Serrano, o advogado disse não compreender porque é que o empresário responsável pela perfuração vai ser ouvido apenas como testemunha, e não como suspeito.

Na semana passada, o proprietário do terreno apresentou a sua versão do que aconteceu. Afirmou que a pessoa que fez o poço nunca o cobriu e terá sido ele próprio a colocar uns blocos de cimento para evitar acidentes e a avisar para o perigo da perfuração. A culpa, afirmou, é de quem fez o poço. “Se há uma responsabilidade criminal a ser atribuída, ela deve recair sobre a pessoa que realizou a perfuração”, sublinhou o seu advogado, que destacou a ausência de autorizações para a realização do furo de “prospeção de água para utilizar numa plantação de abacates”.

A versão de Antonio Sánchez é, contudo, outra. Segundo ele, o poço terá sido vedado depois de aberto, tal como é a sua “prática comum”, tendo sido colocadas pedras de grandes dimensões sobre a entrada precisamente para evitar qualquer incidente. No entanto, essas pedras terão sido retiradas mais tarde, durante as operações de perfuração, e não voltaram a ser colocadas em cima do poço.

Julen foi encontrado morto a 23 de janeiro, depois de ter caído num poço com mais de 100 metros de profundidade, onde esteve durante 10 dias. Numa autópsia realizada posteriormente, percebeu-se que a criança de dois anos apresentava um “traumatismo cranioencefálico grave” e “politraumatismos compatíveis com a queda”. Os investigadores acreditam que tenha caído de pé e que as pedras e outros sedimentos tenham provocado os golpes na cabeça.

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