expresso.ptexpresso.pt - 13 fev 18:28

Ex-técnica de contraespionagem norte-americana deserta para o Irão para poder “fazer o bem e não o mal”

Ex-técnica de contraespionagem norte-americana deserta para o Irão para poder “fazer o bem e não o mal”

Monica Witt trabalhou durante mais de dez anos para o governo norte-americano. O Departamento de Justiça norte-americano acredita que ela levou consigo segredos de Estado quando desertou para o Irão

Uma ex-técnica de criptografia na Força Aérea norte-americana foi esta quarta-feira acusada de espiar para o Irão. Monica Witt, 39 anos, trabalhou durante mais de dez anos para o governo norte-americano na área da contraespionagem, decifrando mensagens de países considerados inimigos dos Estados Unidos, lista na qual o Irão aparece no pódio.

Em 2013 abandonou os Estados Unidos e o Departamento de Justiça norte-americano acredita, escreve o “The Guardian”, que Witt reside agora no Irão. Já foi emitido um mandado de prisão em seu nome mas não se sabe ainda se será respeitado pelas autoridades iranianas. Os procuradores estão convencidos que Witt terá levado consigo as identidades de alguns agentes secretos norte-americanos, que foram depois alvo de hackers iranianos, quatro deles também acusados de crimes pelos Estados Unidos.

“Witt foi recrutada pelo Irão como parte de um programa que tem como alvo os ex-oficiais dos serviços de informações. Após a sua deserção para o Irão em 2013, acreditamos que tenha revelado ao governo a existência de um programa de recolha de informações altamente confidencial e a verdadeira identidade de um agente secreto dos EUA, arriscando assim a vida desse indivíduo”, lê-se no comunicado divulgado pelo Departamento da Justiça norte-americano.

“É um dia triste para a América quando um dos seus cidadãos decide trair os países”, disse o procurador-geral para a área da segurança nacional, John Demers, nesse mesmo comunicado.

A acusação refere que Witt terá desertado por razões ideológicas, e transcreve alguns emails trocados entre Witt e um agente iraniano, antes de ela ter decidido deixar os Estados Unidos. O iraniano, que nos documentos aparece como ‘indivíduo A’ envia uma mensagem a elogiar o trabalho de Witt: “Será que deveria agradecer ao secretário da Defesa? Foi bem treinada”. Witt responde: “LOL! Agradecer ao secretário da Defesa? Por mim? Bom eu adorei fazer o meu trabalho e agora quero apenas aplicar o treino que recebi a fazer o bem, em vez do mal. Obrigada por me ter dado esta oportunidade”.

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