expresso.ptexpresso.pt - 13 fev 22:22

Vila francesa proibe os cães de ladrar demais

Vila francesa proibe os cães de ladrar demais

Na realidade, impõe aos donos a obrigação de impedir que os seus animais ladrem com insistência, incomodando os vizinhos

Um pequena vila francesa acaba de proibir os cães de ladrar. Quer dizer, de permitir aos seus donos que os deixem ladrar insistentemente sem tomar medidas para o evitar. Caso não façam nada para o impedir, ficam sujeitos a uma multa de 68 euros.

Uma petição apresentada por vizinhos contra uma mulher que tinha meia-dúzia de cães em casa parece ter sido o estímulo original que levou à introdução da nova regra. Votada na semana passada pelos 19 vereadores da pequena vila de Feuquières, no Oise (norte de França), a legislação obriga os proprietários de cães a garantir que estarão sempre em condições de impedir que os seus animais ladrem durante muito tempo seguido. Se o dono não puder encontrar-se presente e o animal não estiver educado nesse sentido, deve ficar dentro de casa.

Muita gente discorda. "É completamente alucinante.Já agora impeçam os sinos de igreja de tocar ao domingo de manhã", disse Stéphane Lamard, um veterano da defesa dos animais que dirige uma associação do setor. "Os cães têm boca, é para ladrar. As pessoas ficam bem satisfeitas quando eles dão o alerta em caso de roubo".

O presidente da câmara, que promoveu a lei, explicou que não se trata de impedir as pessoas de terem cães ou sequer de impedir os cães de ladrar; apenas de assegurar que eles não o fazem de um modo persistente que incomode os vizinhos em zonas de habitação (os cães podem ladrar à vontade no campo, nota o presidente). Como não há polícia municipal na vila e os gendarmes têm mais que fazer, uma decisão administrativa é a única maneira de acabar com o "calvário" de muitos residentes.

Também aqui Lamard contesta, garantindo que nunca ouviu um cão ladrar o dia inteiro. Manifestando indignação por o presidente da câmara aludir a coleiras elétricas que impedem os cães de ladrar, o defensor dos direitos dos animais sugere que a solução está em educar - tanto os cães como as pessoas, donos e vizinhos. E diz que vai contestar em tribunal a decisão agora anunciada.

Quanto à ideia de que não se deve ter animais fechados em casa, avançada por muitos defensores dos animais, parece não ter feito a sua aparição no debate em curso. Pelo menos até agora.

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