observador.ptSónia Castelo dos Santos - 13 fev 00:42

Nós, mulheres

Nós, mulheres

Acredito no medo das mulheres. Acredito na chantagem e dependência de muitas delas. Acredito nos filhos que pensam estar a defender. Mas não acredito que sejam precisas mais mortes para algo ser feito

Acredito em Deus e no diabo, acredito no bom e no mau.

Acredito na verdade e na mentira.

Acredito no amor.

Acredito nos Homens e nas Mulheres!

Acredito que somos diferentes e que é essa diferença, que nos abençoa com a maior riqueza!

As Mulheres são mães e geram um filho no ventre e não haverá género que mude esse milagre da vida!

Porque somos mais sensíveis, porque somos mais subjectivas, porque somos mais frágeis, porque somos mais complicadas, porque somos encantadoramente mais confusas…somos Mulheres…e felizmente, a maior parte dos Homens adora!

Acredito no respeito.

Acredito na confiança.

Acredito na Paz e na partilha.

Também acredito na violência, ela existe.

Hoje há mais violência ou tornou-se mais descarada, talvez as duas.

Acredito na guerra dos sexos.

Sim, noutros tempos na nossa sociedade, a mulher só podia viajar com autorização do marido e não passaram assim tantos anos…

A mulher era quem tratava da casa e de tudo o que tinha a ver com o marido, para além da educação dos filhos, algumas estudaram, outras começaram a guiar, mas quem decidia em casa, continuava a ser quem vestia as calças.

Os anos passaram e as mulheres ganharam direitos, começaram a votar, a ter opinião e emanciparam-se num mundo de homens, onde estes continuam a ganhar mais do que elas e muitas vezes a não terem tanta capacidade para desempenhar esses mesmo cargos.

Pagamos todos os dias essa fatura com frustrações, problemas de toxicodependência, que geram cada vez mais violência: a física e a outra também menos grave, a verbal e consentida.

Nós mulheres temos dignidade, sempre tivemos, mesmo quando eramos propriedade e apenas um objecto dos homens.

Somos mães, continuamos, em geral, a assegurar as tarefas domésticas, mas no entanto temos uma vida activa e laboral muito preenchida e tantas vezes nos perguntamos: “Como damos conta do recado?”

Os tempos mudaram, mas os homens pobres ou ricos continuam a achar que temos “uma espécie de chip” e que lhes pertencemos.

Acredito que muitos, como o meu, serão a honrosa maioria.

A violência doméstica, só pelo nome é tratada por tu, “doméstica” parece sem importância, não é valorizada, não é penalizada e vivemos com muitas mulheres e crianças ao lado da nossa porta, que gritam de forma muda o seu sofrimento.

Acredito que as mentalidades mudam, mas levará tempo.

Acredito que todos, sem cores políticas, estamos reunidos na mesma mesa.

Acredito que a “violência doméstica” é um Crime Público e devemos denunciar.

Acredito no medo das mulheres.

Acredito na chantagem e na dependência financeira de muitas delas.

Acredito nos filhos e no lar que pensam estar a defender.

Mas, não acredito que sejam precisas mais mortes para algo ser feito.

Acredito que as Forças de Segurança estão melhor formadas, mas precisa-se investir mais.

Acredito que o Ministério Público deverá estar cheio de processos e não consegue dar seguimento, mas terá de dar importância ao que é Urgente: a protecção de vidas!

Acredito que temos um país atolado de greves e de gentes que gritam as suas dores! Acredito que todos estamos fartos de tanta coisa, que já não acreditamos em nada. Acredito em saídas e em soluções.
Mas, acredito, acima de tudo, no trabalho que é preciso fazer.

Acredito na solidariedade e nas manifestações.
 Mas, acredito também que as leis existem e que só terão eficácia se se aplicarem. Acredito que a Lei deve mudar e punir esta violência.

Acredito que a nossa Assembleia da República deve discutir e alterar a Lei, urgentemente!

Acredito que espancar uma mulher terá de ser um acto punido, com pulso firme e de forma exemplar.

Por todas nós que fomos, somos ou seremos vítimas. Acredito em nós.
Acredito em nós, MULHERES!

Empresária

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