observador.ptobservador.pt - 13 fev 17:09

Fumam, bebem e dormem pouco, mas serão os que vivem mais. O que explica a longevidade dos espanhóis?

Fumam, bebem e dormem pouco, mas serão os que vivem mais. O que explica a longevidade dos espanhóis?

Até 2040, a esperança média de vida em Espanha vai chegar aos 85,8 anos — a mais alta do mundo. O segredo estará na dieta mediterrânica, na sesta e nas caminhadas, mas também na língua — a mais feliz.

Até 2040, os espanhóis vão chegar aos 85,8 anos de esperança média de vida. A conclusão é de um relatório do Institute for Health Metrics and Evaluation e surpreende, à primeira vista, tendo em conta que, segundo o Eurostat, o país vizinho tem alguns hábitos considerados pouco saudáveis. 22% da população fuma, fazendo de Espanha o oitavo país com mais fumadores entre os vinte sete países da União Europeia. No que toca ao álcool, cerca de 15% dos espanhóis consome todos os dias e o país fica mais uma vez nos primeiros lugares da tabela: o nono lugar, nos vinte sete países da EU.

Ainda assim, os números não impediram Espanha de ultrapassar, em tempo médio de longevidade, o Japão que, até agora, no topo da tabela. O segredo, afinal, estará em hábitos culturais que, afinal, são bons para a saúde.

Alimentação: dieta mediterrânica, tapas e vinho

Em Espanha, o consumo de sal e carne vermelha é muito elevado, mas há hábitos que compensam escolhas menos saudáveis. É o exemplo da compra de produtos frescos em vez de alimentos processados.

Helen Bond, da Associação Dietética Britânica, afirma ao The Times que os espanhóis “consomem muitos frutos secos, azeite, peixes com muito óleo, ou seja, uma quantidade muito elevada de gordura e algum vinho tinto”. Pode parecer um erro, sobretudo por causa da gordura, mas um estudo recente mostrou que fazer esta dieta pode diminuir o risco de doenças cardíacas em 27% — porque é preciso não esquecer que há gordura boa e gordura má.

A divisão da carga alimentar durante o dia também joga a favor da longevidade. A refeição mais pesada do dia é o almoço e os espanhóis só costumam voltar a comer por volta das nove horas da noite. Esta refeição, porém, é feita, apenas, de pequenas porções de comida: as famosas tapas. Desta forma, consomem-se mais calorias ao início do dia do que à noite e o corpo armazena menos gordura.

Exercício físico: menos ginásio e mais passeios

Um estudo da Deloitte concluiu que apenas 4,9% dos espanhóis estão inscritos num ginásio. Mas o Eurobarometer mostra que 76% da população faz um passeio pelos menos quatro vezes por semana durante 10 minutos ou mais.  Dados mais recentes indicam ainda que 37% dos espanhóis caminha ou anda de bicicleta para se deslocar até ao trabalho. E, já se sabe, a caminhada é conhecida por melhorar a saúde física e emocional.

Descanso: dormir de noite… e de dia

O almoço, como já vimos, é a maior e mais longa refeição do dia. De estômago cheio, o corpo pede uma sesta. Mas, apesar de os espanhóis serem conhecidos por este momento de descanso, apenas 18% da população afirma fazer a uma pausa para dormir depois do almoço. A conclusão parte de uma pesquisa da Simple Logica. O hábito está a perder-se gradualmente, principalmente entre os mais novos.

Ainda assim, terá um benefício direto na saúde dos que a praticam. Em 2012, cientistas espanhóis provaram que a sesta melhora a saúde cardiovascular, o humor e a memória, mas com um aviso: a Sociedade Espanhola de Médicos de Família sublinha que uma sesta só é saudável se não durar muito tempo, para não se perder o sono à noite. O tempo indicado são cerca de 26 minutos.

Trabalho: mais horas e mais devagar

O trabalhador comum em Espanha trabalha cerca de 1691 horas por ano. O valor é elevado, se for comparado com o número de horas de trabalho no Reino Unido (1674) ou na Alemanha (1371). O truque, porém, estará nas pausas.

Os trabalhadores espanhóis fazem pausas para almoço mais longas, que podem chegar às duas horas, e interrompem o trabalho mais vezes, para, por exemplo, beber café. Alguns espanhóis acreditam que o trabalho é mais produtivo se for feito durante mais tempo, mas de forma mais lenta. A opção pode provocar menos stress ou ansiedade — diminuindo, naturalmente, os prejuízos para a saúde.

Sexo: “os melhores amantes” e “as mais sedutoras”

Uma vida sexual ativa e saudável tem benefícios para o bem-estar e para a saúde e isso também é apontado como uma vantagem para os espanhóis, que, em média, dizem as estatítiscas, têm a primeira relação sexual aos 19 anos.

Um estudo conduzido pela onePoll.com, que questionou 15 mil mulheres de todo o mundo, concluiu que os homens espanhóis são “os melhores amantes”, assim como os brasileiros. E algumas pesquisas de sites e aplicações de encontros amorosos demonstram que as mulheres espanholas são “as mais sedutoras”.

Língua: palavras felizes

Podem as palavras de cada língua ter algum efeito no bem estar de cada pessoa? Aparentemente, sim. Um estudo encomendado pelo Jornal da Academia Nacional de Ciências concluiu que o castelhano é a língua “mais feliz e positiva” que existe. Nessa análise, feita por Peter Dodds, da Universidade de Vermont, e que considerou cerca de 100 mil palavras de dez das línguas mais faladas no mundo, o castelhano foi considerado a língua com mais palavras “felizes”.

Entenda-se por palavras felizes “amor” ou “riso”, usadas em conversas cara-a-cara ou em mensagens de telemóvel ou na internet.

Abusos na Igreja

    Se tiver uma história que queira partilhar ou informações que considere importantes sobre abusos sexuais na Igreja em Portugal, pode contactar o Observador de várias formas — com a certeza de que garantiremos o seu anonimato, se assim o pretender:

  1. Pode preencher este formulário;
  2. Pode enviar-nos um email para abusos@observador.pt ou, pessoalmente, para Sónia Simões (ssimoes@observador.pt) ou para João Francisco Gomes (jfgomes@observador.pt);
  3. Pode contactar-nos através do WhatsApp para o número 913 513 883;
  4. Ou pode ligar-nos pelo mesmo número: 913 513 883.
62
1