expresso.ptexpresso.pt - 13 fev 20:07

Caso de Tancos. Informações fornecidas pelo ex-diretor da PJM foram decisivas para a sua libertação

Caso de Tancos. Informações fornecidas pelo ex-diretor da PJM foram decisivas para a sua libertação

As respostas dadas pelo coronel Luís Vieira no primeiro interrogatório judicial foram consideradas objetivas e honestas para a juíza do Tribunal da Relação de Lisboa. O currículo militar também ajudou para a sua libertação do presídio de Tomar

As respostas dadas pelo coronel Luís Vieira durante o primeiro interrogatório judicial, logo após a sua detenção em setembro, foram o principal argumento usado pela juíza Adelina Oliveira para a libertação do ex-diretor da Polícia Judiciária Militar (PJM).

A desembargadora considerou que Luís Vieira - que se encontrava em prisão preventiva desde então no presídio de Tomar - deu informações objetivas, diretas e honestas aos investigadores e procuradores do caso de Tancos.

Além disso, o facto de Luís Vieira ser um militar com mais de 40 anos de serviço no Exército, condecorado e com uma folha de serviço considerada sem mácula, estar na reserva e ter sido afastado de funções também pesou para a mudança da medida de coação mais gravosa (a prisão preventiva) para uma outra menos pesada (termo de identidade e residência com a obrigação de apresentações semanais às autoridades).

O ex-diretor da PJM não pode no entanto contactar com os restantes arguidos e testemunhas do processo. A juíza desembargadora Adelina Oliveira decidiu também não levantar a suspensão do cargo que tinha na PJM.

Luís Vieira foi detido pela Unidade Nacional de Contra-Terrorismo da Polícia Judiciária em setembro, na primeira fase da Operação Húbris, que investiga o caso da recuperação das armas furtadas em Tancos em 2017. Foram detidos nessa altura outros três responsáveis da PJM, um civil, e três elementos do Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Loulé.

Nesse primeiro interrogatório, Luís Vieira negou ter dado ordens aos seus homens da PJM para levarem a cabo a operação clandestina da entrega do armamento de guerra roubado em Tancos, e que só ficou a saber dessa operação já no final do ano de 2017, meses depois da entrega das armas num baldio na Chamusca. Negou também a existência do memorando que relatava a referida operação ilegal que teria sido entregue no Ministério da Defesa, admitindo mesmo que o documento tenha sido fabricado com o intuito de prejudicar o então ministro Azeredo Lopes.

Em dezembro, três meses após as primeiras detenções, a PJ fez mais prisões, no âmbito da segunda fase desta operação que se focou no grupo que terá assaltado os paióis.

No total das duas operações foram já constituídos vinte arguidos que são suspeitos de associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder, recetação, detenção de arma proibida e tráfico de armas.

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