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Ferido do acidente da mina de Aljustrel em estado grave

Ferido do acidente da mina de Aljustrel em estado grave

João Corte Negra, o mecânico, de 25 anos, que, na segunda-feira, ficou gravemente ferido na sequência da queda de uma carrinha de caixa num fosso da Mina de Fetais, em Aljustrel, continua internado no Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, "em situação clínica grave".

De acordo com um ponto de situação feito pelo Gabinete de Comunicação e Marketing (GCM) da Unidade Local de Saída do Baixo Alentejo (ULSBA), o homem está internado na "unidade de cuidados intensivos polivalente" da unidade hospitalar, "inspirando sérios cuidados".

O GCM acrescentou que João Corte Negra, "foi sujeito a uma intervenção cirúrgica aos membros inferiores".

Segundo apurou o JN junto de um amigo da família do sinistrado, este apresenta "problemas pulmonares, foi ventilado e está em coma induzido", acrescentando que "a situação é complicada", rematou a nossa fonte.

Recorde-se que ontem cerca das 11,00 horas, uma viatura transportando dois mecânicos da Empresa Portuguesa de Desenvolvimento Mineiro (EPDM), que presta serviços para a Almina, proprietária da mina de Aljustrel, caiu para um fosso de 40 metros de profundidade de uma altitude de 310 para os 350 metros, arrastando os dois trabalhadores no seu interior.

Joaquim Maria Guerreiro, de 46 anos, residente em Vale da Eiras, freguesia de Ermidas-Sado, concelho de Santiago do Cacém, condutor da viatura, ficou encarcerado entre o volante e as chapas e teve morte imediata.

O helicóptero do INEM de Loulé chegou a aterrar no relvado sintético do Estádio Municipal de Aljustrel e depois de médico e enfermeiro terem estabilizado João Corte Negra, foi transportado de ambulância para o Serviço de Urgência do Hospital de Beja.

O corpo de Joaquim Guerreiro, foi transportado para o Gabinete Médico-Legal de Beja e a autópsia só deverá realizar-se amanhã.

Logo após o acidente, Luís Cavaco, dirigente do Sindicato Trabalhadores Industria Mineira (STIM), acusou a Almina de não continuar a promover uma verdadeira segurança dos trabalhadores: "Na mina não há uma verdadeira cultura de segurança. Há muitos acidentes que são ocultados. O medo persiste no interior da mina e os trabalhadores têm receio de perder o emprego e na maior parte das vezes não falam. Houve uma morte é mais um número. O STIM vai continuar a lutar e a divulgar as irregularidades, sempre na esperança que a ACT atue mais ativamente".

Outros casos

20 maio de 2015: Uma queda de um tapete rolante, de uma altura de 190 metros, esteve na origem a morte de Joaquim Gomes, de 498 anos, residente em Odivelas, concelhio de Ferreira do Alentejo.

6 de outubro de 2017: Um homem, de 48 anos, ficou gravemente ferido na sequência de uma colisão entre um dumper (camião basculante) e uma carrinha de caixa aberta, a 200 metros de profundidade, deixando o seu condutor encarcerado. Ficou politraumatizado.

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