expresso.ptexpresso.pt - 12 fev 15:00

Trump insulta o Irão, o Irão insulta Trump: os 40 anos da Revolução Islâmica

Trump insulta o Irão, o Irão insulta Trump: os 40 anos da Revolução Islâmica

Presidente dos EUA acusado de ser idiota

A comemoração dos quarenta anos da República Islâmica, que teve lugar segunda-feira no Irão, não passou sem ataques ao 'Grande Satã' - isto é, os Estados Unidos - nem ao seu Presidente, a quem o seu homólogo iraniano, Hassan Rouhani, chamou idiota. Governantes dos dois países depressa se envolveram numa troca de palavras via Twitter.

"40 anos de corrupção. 40 anos de repressão. 40 anos de terror. O regime de Teerão produziu apenas #40AnosdeFracasso. O povo iraniano sofre há muito e merece um futuro melhor", disse Donald Trump no Twitter. Em resposta, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Javad Zarif, escreveu: #40 anos de falhanço em aceitar que os iranianos jamais voltarão a ser submissos. #40 anos de falhanço a ajustar a política dos EUA à realidade. #40 anos de falhanço a desestabilizar o Irão com sangue e dinheiro. Após 40 anos de escolhas erradas, é tempo de @realDonald Trump repensar a política falhada dos EUA."

Na cerimónia pública da Praça Azadi em Teerão, onde estiveram centenas de milhares de pessoas, Rouhani disse que o seu país jamais pedirá licença para desenvolver o seu programa de mísseis balísticos, criticado pelos EUA. Réplicas do Qadr F, um míssil com um alcance de 1950, encontravam-se bem à vista, juntamente com retratos do fundador da República Islâmica, o aiatola Khomeini.

Khomeini regressou ao país em 1979, após um longo exílio, quando ruiu o regime do xá Reza Pahlevi, apoiado pelos Estados Unidos. O seu regime pró-ocidental, mas fortemente repressivo a nível interno, tinha sido lá instalado em 1953, após o golpe de Estado montado pela CIA e pelo MI6 que depôs o então primeiro-ministro Mohammad Mossadegh.

Mossadegh, um nacionalista secular, tinha hostilizado o Reino Unido com a nacionalização da companhia petrolífera anglo-persa, e ainda hoje há um sentimento muito forte no país não apenas contra os EUA mas também contra o Reino Unido, por vezes visto como a força oculta por trás de muitas conspirações. Isso voltou a estar presente no grito "morte a Theresa May" que se ouviu segunda-feira, a par dos tradicionais slogans do mesmo tipo contra os Estados Unidos e Israel.

Desde que Trump abandonou o acordo nuclear com o Irão e restaurou as sanções suspensas, a economia iraniana tem sofrido, mas as perspetivas de que isso leve a uma derrocada do regime continuam a parecer remotas. A memória de 1953 permanece bastante viva na consciência da população, muito mais do que entre os americanos subsiste a lembrança das seis dezenas de americanos feitos reféns na sua embaixada por estudantes islâmicos após a revolução. Esta crise, que durou mais de um ano e arruinou a presidência de Jimmy Carter, terminaria no momento em que o seu sucessor, Ronald Reagan, assumia o poder.

Seguiram-se oito anos de uma guerra extremamente mortífera com o Iraque, o qual em parte foi estimulado pelos EUA. Desta vez o líder supremo do Irão, aiatola Ali Khamenei, teve o cuidado de explicar que os slogans de 'morte à América' se dirigiam aos líderes dos Estados Unidos, não ao seu povo. Especificamente, destacou, além de Trump, o conselheiro de segurança nacional John Bolton e o secretário de Estado Mike Pompeo.

Na troca de ameaças, um comandante da guarda Revolucionária apareceu a dizer que o Irão arrasaria as cidades israelitas de Telavive e Haifa no caso de os EUA o atacarem militarmente. No mesmo dia, o primeiro-ministro Netanyahu respondeu: "Se este regime cometer o erro terrível de tentar destruir Telavive ou Haifa, não terá êxito e será o último aniversário da Revolução que jamais celebrará".

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