expresso.ptexpresso.pt - 12 fev 13:42

Os cães são mesmo uma ameaça à vida selvagem?

Os cães são mesmo uma ameaça à vida selvagem?

A julgar pela ciência, sim. Cientistas defendem que os melhores amigos do homem já contribuíram para a extinção de algumas aves selvagens e de outras tantas espécies de animais. Um estudo da Universidade do Chile alerta para a necessidade de controlar a quantidade cães domésticos

Para a ciência são os canis familiaris. Para as pessoas não ligadas à ciência, são só cães. Para os donos são, provavelmente, um companheiro. Independentemente de como lhe chamam, os mais de mil milhões destes animais de companhia existentes em todo o mundo podem ser os culpados pelo desaparecimento de tantas outras espécies. Um estudo da Universidade do Chile alerta para o facto de os cães se estarem a tornar numa ameaça, bem como para a necessidade de os controlar.

“Os cães ameaçam significativamente a vida selvagem, incluindo as espécies em perigo. Embora este problema se assemelhe com as ameaças também causadas por outros animais invasivos, gerir o fluxo de cães é ainda mais inquietante devido à sua próxima relação com os humanos”, pode ler-se no resumo do estudo “Quando os cães ameaçam a vida selvagem: medidas públicas para gestão de estratégias no sul do Chile”, publicada no começo deste ano pelo “Journal of Environmental Management”.

Os investigadores acreditam que é preciso controlar o impacto dos cães na vida selvagem e um dos principais problemas é o facto de não existir sensibilização para o assunto e de os donos permitirem que os animais não tenham qualquer restrição de movimentação. E depois há ainda os os cães abandonados.

“A predação e a perseguição dos cães tem sido notada pela maioria dos mamíferos terrestres que vivem no Chile, incluindo três espécies de canídeos (da família dos cães) e três espécies de veados”, disse à BBC Eduardo Silva-Rodriguez, um dos autores do estudo.

Os cientistas explicam que os cães se podem tornar predadores e matar outros animais, assim como desequilibrar o ecossistema, transmitir doenças para a vida selvagem e até reproduzirem-se e cruzarem-se com espécies semelhantes.

Outra das questões analisadas foi a forma como a fiscalização poderia ser feita. Mais de 98% dos entrevistados opôs-se ao controle através da morte dos animais. Além disso, mostraram-se mais “disponíveis a aceitar a morte de um cão que atacou ovelhas do que um que atacou a vida selvagem”. Colocados perante várias situações, escolheram mais a responsabilização do dono, através do pagamento de multas, do que a eliminação do cão.

“Em resumo, os participantes preocupam-se significativamente mais com o gado e a segurança humana do que com a proteção da vida selvagem”, referem os investigadores.

Segundo dados apresentados pela BBC, há mais mil milhões de cães em todo o mundo. O problema é que estes ameaçam perto de 200 espécies (cerca de metade são mamíferos, 78 aves, 22 répteis e três anfíbios), maioritariamente na Ásia, América Central e Sul, Caraíbas e Oceania.

Na Europa, o problema é outro: são os lobos os que mais ameaçam outras espécies.

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