expresso.ptexpresso.pt - 12 fev 10:26

Congressista muçulmana pede “inequivocamente” desculpas por comentários antissemitas

Congressista muçulmana pede “inequivocamente” desculpas por comentários antissemitas

Ilhan Omar sugeriu que o Comité Americano dos Assuntos Públicos de Israel comprava influência para fazer avançar políticas pró-israelitas. Além dos republicanos, foram vários os democratas, incluindo Nancy Pelosi, que pediram um pedido de desculpas “imediato”. Em novembro, Omar tornou-se uma das duas primeiras muçulmanas eleitas para o Congresso

A democrata Ilhan Omar pediu desculpas, esta segunda-feira, por ter afirmado que os congressistas dos EUA só apoiam Israel por causa do dinheiro do lóbi. A congressista foi alvo de uma condenação generalizada depois de ter sugerido que o Comité Americano dos Assuntos Públicos de Israel (AIPAC, no acrónimo em inglês) comprava influência para fazer avançar políticas pró-israelitas.

Republicanos e democratas disseram que os comentários no Twitter da congressista muçulmana de origem somali alimentam preconceitos antissemitas que associam judeus a dinheiro.

Depois de conversar com a presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, Omar fez um pedido “inequívoco” de desculpas. “O antissemitismo é real e eu estou grata aos aliados e colegas judeus que me têm ensinado sobre a dolorosa história de considerações antissemitas. Temos de estar sempre dispostos a recuar e a pensar nas críticas, como espero que as pessoas me ouçam quando outros me atacam pela minha identidade”, escreveu. A congressista acrescentou, contudo, que ainda acredita que os lobistas são “problemáticos” na política americana, “seja o AIPAC, a NRA [a associação nacional de armas] ou a indústria dos combustíveis fósseis”.

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“Tem tudo a ver com os Benjamins”

A polémica começou quando, em resposta a um tweet de um jornalista que questionava por que motivo os líderes políticos americanos defendem sempre Israel, Omar escreveu no domingo: “Tem tudo a ver com os Benjamins” — usando um calão empregue para designar as notas de 100 dólares, que têm a cara de Benjamin Franklin, um dos pais fundadores da nação americana.

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Desafiada a comentar a origem do dinheiro, a congressista limitou-se a responder: “AIPAC!”.

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O AIPAC gasta milhões de dólares todos os anos a fazer lóbi junto de congressistas e do Governo federal para a adoção de políticas pró-Israel, segundo órgãos que monitorizam o financiamento de campanhas. Em resposta a Omar, o Comité escreveu: “Os nossos esforços bipartidários refletem os valores e interesses americanos.”

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“Considerações antissemitas não têm lugar nos corredores do Congresso”

Em novembro, Ilhan Omar tornou-se uma das duas primeiras mulheres muçulmanas eleitas para o Congresso. Na sequência da mais recente polémica, foram vários os democratas que pediram um pedido de desculpas “imediato” pelos “comentários ofensivos”. “A crítica legítima às políticas de Israel está protegida pelos valores da liberdade de expressão e debate democrático que os EUA e Israel partilham. Mas o uso pela congressista Omar de considerações antissemitas e acusações preconceituosas sobre os apoiantes de Israel é profundamente ofensiva”, lia-se numa declaração conjunta de democratas, entre os quais estava Nancy Pelosi.

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O líder republicano na Câmara dos Representantes, Kevin McCarthy, escreveu que “as considerações antissemitas não têm lugar nos corredores do Congresso”. “É perigoso que a liderança democrata permaneça em silêncio sobre esta linguagem imprudente”, acrescentou.

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No ano passado, o próprio McCarthy provocou polémica com um tweet, entretanto apagado, em que sugeria que os doadores bilionários judeus estavam a tentar “comprar” as eleições para o Congresso.

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