observador.ptobservador.pt - 11 fev 05:08

Da passerelle para os Grammys: quando a grande noite da música começa em Paris

Da passerelle para os Grammys: quando a grande noite da música começa em Paris

Chapéus, plumas, alta-costura e tesouros de arquivo. Antes de distribuir prémios, os Grammys relembraram que, numa passadeira vermelha, tudo é possível. Até levar Paris para Los Angeles.

A noite foi de celebração da música, mas tudo começou com um impressionante desfile na passadeira vermelha do Staples Center, em Los Angeles. E as convidadas jogaram pesado. Muitas arrojaram nos acessórios, outras trouxeram criações de alta-costura que pensávamos poder ver apenas no ambiente controlado de uma passerelle. Estávamos enganados. Outras foram mais longe e abriram os arquivos de designers europeus. Foi o que fez Cardi B, a figura exuberante do costume, mas desta vez empacotada num vestido teatral feito na década de 90 pelo francês Thierry Mugler. Na noite de domingo, a cantora foi a pérola no centro de uma ostra que o mundo da moda já tinha esquecido.

Miley Cyrus recorreu ao mesmo criador, mas há quem tenha procurado outro tipo de material em Paris. Katy Perry e Kylie Jenner, por exemplo, foram bater à mesma porta. Depois de ter apresentado uma coleção de alta-costura no mês passado, a primeira em 16 anos, a Balmain serviu as duas convidadas com o que tinha de melhor, dentro do estilo de cada uma. A primeira usou um vestido escultural, a segunda, uma espécie de fato 2.0. As duas foram responsáveis por ditar a cor da noite: o cor-de-rosa.

A arquitetura da roupa sobrepôs-se à vontade de exibir o corpo, predisposição certa para abrir a porta à alta-costura francesa, mesmo numa noite como a dos Grammys, em que, muitas vezes, o freakshow é já um mal anunciado. Janelle Monae, convidada irrepreensível, escolheu Jean Paul Gaultier. De ombros pontiagudos, apontados para o céu, arriscou no chapéu e, num ápice, trocou a costa oeste dos Estados Unidos pela Place Vendôme.

A norte-americana St. Vincent apanhou o mesmo voo e voltou com o mais improvável dos Vallis (também alta-costura). Lady Gaga surgiu em Celine, por Hedi Slimane, Dua Lipa em Versace e até a novata Kacey Musgraves foi a Itália entender-se com a casa Valentino.

Houve exceções, obviamente. Jennifer Lopez, uma das figuras mais marcantes da noite, vestiu-se de branco e com um chapéu de aba larga, pelas mãos da dupla Ralph & Russo. A marca britânica não teve mãos a medir — vestiu ainda as atrizes Anna Kendrick e Tracee Ellis Ross, que podem não ter ficado com um lugar no pódio, mas que certamente ficaram a salvo da inevitável seleção vexatória. Por falar nisso, que palavras dirigir às cantoras Ashanti e Fantasia? Não que as expectativas estivessem muito elevadas, mas era de evitar. Maren Morris bem que se podia ter esforçado mais, mas nada de muito preocupante. Teremos sempre Blanca Blanco para chutar para o fundo da lista. Além disso, nunca ninguém vai ficar abaixo da senhora do vestido-muro.

Na fotogaleria, reunimos os looks que marcaram a noite.

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