observador.ptobservador.pt - 11 fev 07:42

Ordem dos Médicos diz que Lei de Bases da Saúde serviu para “desviar atenções” dos problemas do SNS

Ordem dos Médicos diz que Lei de Bases da Saúde serviu para “desviar atenções” dos problemas do SNS

Miguel Guimarães frisa que SNS tem estado quase paralisado e estará pior do que há 20 anos. Bastonário afirma que evolução da medicina tem contribuído para equilibrar a capacidade de resposta do SNS.

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) acusa os políticos de falta de vontade de resolver os problemas do Serviço Nacional de Saúde e considera que o enfoque na alteração da Lei de Bases serviu para “desviar atenções”.

Quando cumpre dois anos de mandato, Miguel Guimarães entende que o SNS tem estado “quase paralisado” e considera até que estará pior do que há 20 anos, destacando que é a evolução da medicina que tem contribuído para “dar um certo equilíbrio” à capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde.

“Não há vontade de quem está na política de resolver o problema das pessoas que trabalham no SNS nem a capacidade de resposta que os serviços de saúde podem dar aos cidadãos”, afirmou aos jornalistas à margem de um encontro onde apresentou propostas da Ordem.

O representante dos Médicos dá o exemplo do enfoque que foi dado à alteração da Lei de Bases da Saúde: “Parece que a Lei de Bases é a salvação do SNS”. “Não há nada na atual Lei de Bases que impeça o Governo de apostar fortemente no SNS e dar aos cidadãos o que eles querem ou que impeça de regularizar as profissionais na área da saúde”, argumentou.

Para Miguel Guimarães, “é uma forma de desviar as atenções numa altura em que o SNS enfrenta uma grave deficiência de investimento, ao nível de equipamentos e de capital humano”. Apesar de reconhecer que a Lei de Bases ainda em vigor “pode melhorar”, o bastonário que não é essa lei que impede o poder político de reforçar a capacidade do SNS.

Nos seus dois anos de mandato considera que “não houve investimento sério no SNS”. Apesar de o Governo invocar a contratação de mais médicos, o bastonário recorda que o que tem existido é mais clínicos em formação.

“Se não tivéssemos os internos [médicos a fazer formação de especialidade] neste momento, o SNS ruía como um castelo de cartas”, alertou.

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