observador.ptobservador.pt - 10 fev 21:40

Catarina Martins avisa que campanha das eleições europeias vai ter “muito lixo”

Catarina Martins avisa que campanha das eleições europeias vai ter “muito lixo”

A coordenadora do Bloco de Esquerda alertou para a campanha das eleições europeias que vai ter "muito lixo" e onde as pessoas sem projetos "discutem tudo menos o essencial".

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) alertou este domingo para a campanha das eleições europeias que vai ter “muito lixo” e onde as pessoas sem projetos “discutem tudo menos o essencial” e apontou o dedo aos candidatos.

Vamos ter uma campanha em que, seguramente, haverá muito lixo, haverá muitos ataques descabelados, muitas mentiras a circular, temos visto isso a crescer em vários países, chega a Portugal também”, avisou Catarina Martins.

No discurso de encerramento de dois dias de formação para jovens, “Inconformação”, em Carregal do Sal, no distrito de Viseu, que juntou cerca de 150 jovens de todo o país, a coordenadora do BE alertou que “quem não tem programa precisa de inventar lixo para esconder falta de projeto”.

“Há quem esteja mais interessado em produzir lixo e vamos ter muito lixo a ser produzido, por quem não quer mostrar o seu programa, por quem não diz como é que vai fazer aquilo a que se propõe fazer”, acusou.

No entender de Catarina Martins vai haver “também outro problema, que são as pessoas que discutem tudo menos o essencial” e vai ver-se e ouvir-se “dizer as frases com o ar mais sério, como se fossem as mais essenciais sobre a Europa, sem que se perceba de que é que estão a falar” e, neste sentido, a líder bloquista aponta o dedo aos candidatos às eleições de 26 de maio.

Paulo Rangel, por exemplo, do PSD, diz que é europeísta e nós pensamos: bem, estamos em Portugal, país do continente europeu, não vamos a lado nenhum, cá estamos, o que é que quer dizer Europeísta? O problema não é se somos europeístas, o problema é que Europa queremos? Que país é que queremos? Para onde é que vamos?”, questionou.

Catarina Martins referiu também o atual primeiro-ministro António Costa, que “disse que a Europa precisa de mais orçamento” e apesar de achar “muito bem”, questionou para que é o orçamento que pede.

“Qual é a política que queremos fazer com esse mais orçamento que a Europa precisa? Porque se for mais orçamento para mais PPP [Parcerias Público Privadas] se calhar não, já tivemos disso o suficiente”, considerou Catarina Martins que também questionou as vontades de Nuno Melo, do CDS-PP.

Diz que quer menos impostos. Está bem, mas é sobre o trabalho ou sobre o capital? Porque se é para o dinheiro continuar a fugir todo do sistema financeiro para os ‘offshores’ e quem trabalha fica com toda a carga fiscal para assegurar as funções básicas do Estado, não é uma grande ideia”, apontou.

Catarina Martins, perante mais de centena e meia de jovens, assumiu que o que é preciso é “equilibrar a balança, de ir cobrar impostos àqueles que fogem para que quem trabalhe não tenha de pagar tantos” e para que Portugal “possa ter o Estado social e as infraestruturas” que são precisas.

“Quando discutimos futuro, quando discutimos Europa, aquilo que temos de discutir é o que queremos fazer? O que é que nós queremos fazer? E este combate vai ser muito complicado”, considerou a líder que avisou que a campanha eleitoral “vai ser sobre tudo, menos o que conta, a vida das pessoas”.

Depois de questionar as opções dos candidatos da direita e do primeiro-ministro, Catarina Martins disse que o Bloco de Esquerda contrapõe dizendo que o partido “tem um programa de segurança para responder aos tempos de enorme instabilidade na Europa” e apresenta os tópicos.

“Dignidade no trabalho, segurança no trabalho, quem trabalha constrói o país, precisa de ser respeitado. O que redistribui a riqueza é o salário, é por aí que começamos: estado social universal, acesso à saúde, à educação, à justiça para toda a gente, condições de igualdade, não deixar ninguém para trás e responder pelo ambiente”, adiantou.

A líder bloquista assumiu que, até às europeias, a tarefa do BE “é obrigar a que se faça debate político que conta” e acusou que quem não disser ao que vem “está a desistir das exigências das gerações mais jovens que já perceberam que ao se responde pela urgência do clima ou não há nenhum sítio onde as pessoas se possam esconder”.

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