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Preços de bens essenciais subiram acima da inflação

Preços de bens essenciais subiram acima da inflação

Inflação média em 2018 não foi além de 1%. Pão encareceu 1,4%, peixe e frutas 2%. Transportes custaram mais 3,06%.

Mais de metade do orçamento das famílias foi afetado por aumentos de preços acima dos 2%, o dobro da inflação média de 2018 (1%). A classe "habitação, água, eletricidade e outros combustíveis" - representa 31,8% das despesas nos lares portugueses - sofreu um agravamento médio de 2,19%. No caso dos transportes - 14,7% dos orçamentos familiares - a subida foi de 3,06%. Se acrescentarmos o agravamento de 2,12% nos "restaurantes e hotéis" - 8,5% das despesas -, constata-se que 55% dos gastos das famílias foram afetados por aumentos superiores à inflação média.

"A inflação é uma média das oscilações de valor em vários produtos e serviços. De facto, fazendo alguma segmentação, há aumentos superiores que afetam mais os orçamentos das famílias", afirma João Cantiga Esteves. O professor de Finanças no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) admite contudo ser "estranho que os preços ainda estejam, em média, tão baixos após toda a política de injeção de dinheiro pelo BCE nos mercados".

Como agravante para os orçamentos familiares, entre 2010 e 2017, os salários dos trabalhadores por conta de outrem recuaram em média 5,88%, havendo alguma recuperação ao longo de 2018, sobretudo por parte dos 671 mil funcionários públicos que se livraram totalmente dos cortes implementados no tempo da troika. No Relatório Conjunto sobre o Emprego, da Comissão e do Conselho europeus, publicado no final de 2018, constata-se que os salários em Portugal ainda estavam, em 2017, abaixo dos níveis de 2000, apesar da queda do desemprego.

10% nos combustíveis

O Índice de Preços no Consumidor (IPC), apurado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), revela que a variação média foi de 1% em 2018, abaixo dos 1,4% registados em 2017. No entanto, houve subidas com valores bem superiores. O agravamento de 10% no preço dos combustíveis líquidos (gasóleo e gasolina) não surpreende os clientes das estações de serviço, apesar das baixas consecutivas nas últimas semanas do ano passado.

Os serviços postais encareceram 5% em 2018, segundo o INE. Após vários aumentos aplicados pelos CTT desde a privatização (2014), a Anacom, regulador das comunicações, anunciou em novembro último que os preços dos Correios vão ter de evoluir, em 2019 e 2020, sempre abaixo da inflação.

Os produtos alimentares e bebidas não alcoólicas tiveram um aumento de 0,74%, ficando abaixo da inflação média. No entanto, o INE mostra que o pão e os cereais encareceram 1,4% e tanto o peixe como as frutas 2%.

Todos os transportes acabaram por ter aumentos superiores à inflação média, variando entre 1,12% nos rodoviários e os 17,47% nos marítimos, passando pelos 3,78% das viagens aéreas e, apesar das queixas contra o serviço da CP, 1,46% no caso dos ferroviários.

Eletricidade

As tarifas de eletricidade no mercado regulado desceram 3,5% para os consumidores domésticos. No mercado livre, a baixa prometida ainda é superior.

Carros

As taxas de imposto sobre veículos e do imposto único circulação subiram em média 1,3%.

Rendas

O valor das rendas vai aumentar este ano 1,15%, um novo máximo desde 2013.

Pão

O preço do pão poderá subir este ano, acompanhando o aumento do salário mínimo (de 580 para 600 euros) e do custo das matérias-primas.

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