expresso.ptexpresso.pt - 14 jan 17:49

Standard & Poor's: 2019 pode ser mais desafiante para dívidas soberanas europeias

Standard & Poor's: 2019 pode ser mais desafiante para dívidas soberanas europeias

“A grande questão para 2019 é a de saber se o crescimento estável e a consolidação orçamental vão continuar, e se os governos politicamente pressionados poderão avançar com reformas estruturais, incluindo nos mercados de trabalho”, indica a Standard & Poor's

A agência Standard & Poor's (S&P) alerta que vários fatores podem contribuir para que 2019 seja um ano "mais desafiante para as dívidas soberanas europeias", mas acredita que a média de 'ratings' na zona euro pode continuar a melhorar.

"A grande questão para 2019 é a de saber se o crescimento estável e a consolidação orçamental vão continuar, e se os governos politicamente pressionados poderão avançar com reformas estruturais, incluindo nos mercados de trabalho", indica a S&P, num relatório divulgado nesta segunda-feira.

A agência de notação financeira afirma que, "com o fim das compras de dívida pública pelo Banco Central Europeu (BCE), a pressão do mercado sobre os custos de financiamento dos governos, a par de um crescimento mais fraco, por exemplo, no caso de um abrandamento da economia norte-americana, ou de um reforço do protecionismo, pode fazer com que 2019 seja um ano mais desafiante para as dívidas soberanas europeias".

Atualmente, na zona euro, as avaliações das dívidas soberanas de cinco países estão com 'outlook' (perspetiva) positivo, ou seja, com perspetivas de melhoria no curto prazo (Portugal, Grécia, Malta, Eslovénia e Espanha), e um com perspetivas negativas, a Itália. "Os fundamentos macroeconómicos da zona euro reforçaram-se em 2018, graças ao crescimento económico estável e melhores resultados orçamentais, e isto, por seu turno, resultou em 'ratings' soberanos mais elevados em toda a zona euro, sobretudo para as economias mais pequenas e mais flexíveis", refere a agência de 'rating'.

Em setembro de 2018, a agência de notação financeira subiu o 'rating' de Chipre (para 'BBB-') e da Letónia (para 'A'), depois de ter subido os 'ratings' da Grécia, Lituânia e Espanha, mais cedo no ano passado, o que fez com que a S&P tenha melhorado cinco avaliações de países na zona euro em 2018. Contudo, a agência de notação financeira reviu as suas perspetivas para a avaliação de Itália (de estável para negativa) em outubro, a refletir a perspetiva de que "a mudança na política económica e fiscal em Itália vai pesar mais nas perspetivas de crescimento do país".

Em média, os 'ratings' soberanos da zona euro recuperaram para 'A+', tendo em conta as avaliações de dezembro de 2018, face à nota média de 'A-' verificada em dezembro de 2013. A S&P diz que isso "sugere que a recente tendência geral de 'upgrades' [melhorias] face aos 'downgrades' pode continuar e que a média de 'ratings' pode melhorar para níveis superiores aos atuais".

"Ao mesmo tempo, o nível absoluto dos 'ratings' soberanos da zona euro continuam, em média, duas notas abaixo dos níveis registados antes da crise financeira global de 2008-2009", conclui a S&P.

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