expresso.ptexpresso.pt - 14 jan 17:35

Mulher de Carlos Ghosn denuncia as “duras condições” em que o marido está detido

Mulher de Carlos Ghosn denuncia as “duras condições” em que o marido está detido

A mulher do presidente da Renault e ex-presidente da Nissan e da Mitsubishi Motors escreveu um email à Human Rights Watch onde apelida de “draconiano” o sistema prisional japonês

Carole Ghosn, mulher do presidente da Renault, Carlos Ghosn, detido desde 19 de novembro no Japão, escreveu uma carta à organização de defesa de direitos humanos Human Rights Watch, a criticar as “duras condições” em que o marido se encontra preso.

Num e-mail de nove páginas, a que Agence France-Presse (AFP) teve acesso, Carole Ghosn aponta o dedo ao facto de Carlos Ghosn estar encarcerado numa cela iluminada dia e noite e critica o facto do marido não ter acesso a seu tratamento médico diário.

“Todos os dias, durante horas, os inspetores interrogam, intimidam, dão-lhe sermões e aconselham-no com o objetivo de extrair uma confissão”, escreve na missiva Carole Ghosn, segundo a agência francesa.

O empresário, de 64 anos, está acusado no Japão de quebra de confiança por uso indevido de ativos da empresa - que terá resultado em perdas de 1,85 mil milhões de ienes (14,5 milhões de euros), em 2008, à Nissan - e de ter declarado às autoridades remunerações inferiores às que efetivamente recebeu (fraude fiscal). Ghosn alega inocência. Na primeira audiência a que foi presente, no passado dia 8 de janeiro, o empresário disse “agi sempre com integridade na minha carreira profissional de várias décadas”, acrescentando que ter sido “injustamente detido com base em acusações infundadas e sem mérito”.

Também no seu email, Carole Ghosn denuncia que os investigadores têm pressionado o marido para assinar documentos em japonês, uma língua que ele não domina, dos quais só terá tido uma tradução oral e sem a presença do advogado.

“Peço à Human Rights Watch para atender ao caso e que pressione o governo para reformar o draconiano sistema de detenção e de interrogatório”, solicita ainda a mulher do ex-presidente da Nissan e da Mitsubishi Motors.

De acordo com a AFP, o advogado de Ghosn, Motonari Otsuru, negou que o cliente tenha sido forçado a assinar documentos escritos em japonês.

“Ghosn não nos disse que teve que assinar qualquer coisa numa língua que ele não entende”, declarou o advogado, citado pela France Press, tendo indicado também que o seu cliente foi transferido para uma cela mais espaçosa, com uma cama em estilo ocidental.

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