expresso.ptexpresso.pt - 14 jan 16:59

Rui Rio adia encontros com militantes à porta fechada até votação de moção de confiança

Rui Rio adia encontros com militantes à porta fechada até votação de moção de confiança

Líder do PSD adiou a reunião marcada para esta segunda-feira, em Viana do Castelo, tal como o encontro com os militantes de Setúbal, quarta-feira. José Silvano justificou o cancelamento devido ao momento vivido no interior do partido. Rio recusa adiantar se moção de confiança à Comissão Política será por voto secreto ou braço no ar

A três dias da realização do Conselho Nacional Extraordinário do PSD, no Porto, e que tem por ponto único a apreciação e votação de uma Moção de Confiança à Comissão Política Nacional, Rui Rio optou por anular o encontro à porta fechada que havia agendado com os militantes laranja do distrito de Viana do Castelo. O adiamento foi comunicado por e-mail ontem à noite aos líderes sociais-democratas da concelhia de Viana, Eduardo Teixeira, e ao da Distrital local, Carlos Morais Vieira, tendo José Silvano avançado como justificação a situação interna do partido.

“Não fazia sentido manter encontro de perguntas e respostas com militantes estando no horizonte imediato a votação de uma moção de confiança ao líder do partido e à sua Comissão Política”, afirmou ao Expresso Eduardo Teixeira, presidente da Concelhia laranja de Viana do Castelo. O também conselheiro nacional do PSD sustenta que, nesta altura de cisma interno e antes da clarificação da moção de confiança, “seria um diálogo difícil com os militantes, até numa lógica de isenção”. Ainda sem data à vista, um novo agendamento com as bases de Viana e de Setúbal ficará assim dependente dos resultados da votação da moção de confiança, que acontecerá quinta-feira, num hotel do Porto, na Boavista, a área de conforto residencial de Rui Rio.

Apesar de ter sido apoiante de Pedro Santana Lopes nas diretas de há um ano e “de ser amigo de Luís Montenegro”, Eduardo Teixeira lamenta a cisão interna num ano eleitoral “importante para o país e para o PSD”, criticando o timing do combate político do ex-líder parlamentar do partido ao “criar divisões internas que, naturalmente, criam por sua vez confusão na praça pública”.

Para o conselheiro nacional, Rui Rio, “goste-se ou não do seu estilo de fazer oposição”, tem toda a legitimidade de ir a votos às europeias e às legislativas de outubro, altura em que em função dos resultados “se questionará ou não se o PSD deve avançar para um novo ciclo de liderança”. Eduardo Teixeira adverte que o fundamental neste momento é estar, como está, “ao lado do partido”, e cuja “tranquilidade não pode ser posta em causa devido a sondagens, que são só um indicativo, não um resultado”.

O líder da maior concelhia do Distrito de Viana do Castelo reforça que convocar eleições a tão poucos meses das europeias “não é um bom serviço ao partido”, acreditando que tudo pode acontecer em 2019, mesmo que a geringonça “que governa sem legitimidade o país há três anos” prometa de “forma demagógica” todos os dias metros, aeroportos, isenções de propinas e afins. “E mesmo assim desce nas sondagens, razão pela qual o PSD tem é de se preocupar em apresentar as suas propostas e desígnios para os próximos atos eleitorais.

Embora ainda não esteja definida a forma de votação da moção de confiança, o conselheiro nacional defende que, sendo o PSD um partido democrático, deve ser feita de braço no ar e não por voto secreto: “Não há motivos para que as pessoas se sintam condicionadas. Além dos 70 membros eleitos do congresso, é importante saber como vão votar os líderes distritais”.

No dia em que Rui Rio visitou os estaleiros de Viana do Castelo, o Expresso tentou saber o posicionamento do líder da Distrital local, mas Carlos Morais Vieira recusou comentar “questões da vida interna do PSD”.

A restante agenda vai ser mantida por Rui Rio, que nesta segunda-feira de manhã visitou a Riopele, em Famalicão, onde adiantou que não irá animar a comunicação social esta semana com questões internas do partido. Rio recusou ainda responder sobre a forma como a votação da moção será efetuada nesta quinta-feira. Numa semana dedicada às empresas, o líder do PSD criticou a carga fiscal brutal do país, que com “este Governo atingiu o recorde”.

Esta terça-feira, Rui Rio visita a M.A. Silva - Cortiças, em Mozelos, seguindo para um almoço no Centro Tecnológico do Calçado, em São João da Madeira. A meio da tarde visita a Vista Alegre, em Ílhavo, e depois a Associação Industrial do Distrito de Aveiro.

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