rr.sapo.ptrr.sapo.pt - 14 jan 16:37

China condena à morte canadiano acusado de tráfico de droga

China condena à morte canadiano acusado de tráfico de droga

Autoridades canadianas veem condenação como mais um passo na guerra diplomática entre os dois países, espoletada pela detenção de executiva da Huawei em Vancouver.

A China condenou à morte um cidadão canadiano, acusado de tráfico de droga. A sentença foi conhecida esta segunda-feira.

Robert Lloyd Schellenberg foi detido em 2014, acusado de tentar traficar 222 quilos de metanfetaminas da China para a Austrália e condenado, em primeira instância, a 15 anos de prisão.

Recorreu da sentença e agora, numa altura em que o Canadá e a China se encontram numa guerra diplomática, motivada pela detenção, em dezembro, de uma executiva chinesa da empresa Huawei, que se encontrava em Vancouver, o tribunal de recurso agravou a pena, dizendo que Schellenberg devia ser executado.

A confirmar-se a execução do canadiano, não será a primeira vez que a China mata estrangeiros condenados por crimes ligados ao tráfico de droga, mas o Canadá já condenou a decisão, através do primeiro-ministro Justin Trudeau, dizendo que revela a aplicação arbitrária da lei na China, nomeadamente da pena de morte.

“É muito preocupante para nós, como devia ser para todos os nossos amigos e aliados, que a China tenha optado por começar a aplicar, de forma arbitrária, a pena de morte, como aconteceu neste caso”, disse o primeiro-ministro canadiano.

Meng Wanzhou foi detida em dezembro com base num pedido de extradição por parte dos Estados Unidos. Pequim reagiu furiosamente, exigindo a libertação da diretora financeira executiva da empresa chinesa, sob pena de consequências não especificadas e passado pouco tempo deteve na China dois cidadãos canadianos, acusando-os de ameaçar a segurança nacional. Meng é acusada pelos Estados Unidos de enganar os bancos a cerca das sanções sobre o Irão. A cidadã chinesa foi mais tarde libertada enquanto aguarda a conclusão do processo de extradição.

O advogado de Schellenberg já disse que o seu cliente provavelmente irá recorrer a sentença de morte, que várias organizações humanitárias já vieram criticar. Sophia Richardson, da Human Rights Watch, diz que “a China vai ter de enfrentar muitas perguntas sobre porque é que esta pessoa em particular, desta nacionalidade em particular, teve de ser julgada de novo nesta altura particular”.

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