visao.sapo.ptvisao.sapo.pt - 14 jan 18:08

A altura do dia em que ocorrem mais paragens cardíacas mudou

A altura do dia em que ocorrem mais paragens cardíacas mudou

Uma investigação debruçou-se sobre um estudo de mais de 2600 casos de paragem cardíaca e concluiu que, ao contrário do que tem sido convicção comum, as primeiras horas da manhã já não são o período de maior risco

Se estudos anteriores apontavam para o início das manhãs e as segunda-feiras como picos na ocorrência de paragens cardíacas súbitas, a nova análise, que se propunha fazer uma "avaliação contemporânea" da variação destes eventos, já não revelou estes picos.

Publicada no Heart Rhythm, a investigação, liderada por Sumeet Chugh, diretor do Heart Institute e do Heart Rhythm Center, na Califórnia, EUA, baseou-se no estudo "Oregon Sudden Unexpected Death Study" para analisar um total de 2631 casos de paragem cardíaca súbita - 31,6% ocorreram à tarde, 27,6% de manhã, 26,9% no final do dia e 13,9% nas primeiras horas da manhã.

Chugh vê várias formas de explicar esta alteração, a começar pela maior correção na observação do timing dos episódios. Os tratamentos para quem já sofreu uma paragem cardíaca ou para quem está em risco também são diferentes mas o investigador sublinha um terceiro fator: a mudança para uma cultura 24/7. "Na última ou nas duas últimas décadas, mudámos realmente a forma como nos comportamos enquanto seres humanos. Mudámos a nossa forma de trabalhar. Estamos constantemente ligados."

"Chamar-lhe-ia uma existência 'sempre ligada'. Muitas pessoas trabalham a toda a hora ou estão ligados a um smartphone a quase todos os instantes do dia, por vezes à noite", lembra Chugh.

A teoria é aprovada por outros investigadores, com Comilla Sasson, vice-presidente do departamento de cuidados cardiovasculares de emergência da American Heart Association, a sublinhar, no entanto, que "isto é tudo observacional".

�� CNN, a especialista, que não participou nesta investigação, considera que os resultados não são "surpreendentes", mas que podem representar uma melhor capacidade de "apanhar" uma paragem cardíaca súbita quando esta está a ocorrer. "Acho que nos ajuda a fazer planos numa perspetiva de serviços médicos de urgência, de forma a que hospitais e prestadores dos primeiros cuidados possam pensar em garantir uma assistência apropriada em função desta variação."

A equipa de Chugh também não encontrou nenhum pico à segunda-feira. Na verdade, no que diz respeito aos dias da semana, a única tendência que os investigadores encontraram foi a de um número mais reduzido destes eventos nos domingos.

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