www.jornaldenegocios.ptAntónio Moita - 13 jan 18:00

Por uma geringonça de direita

Por uma geringonça de direita

Os velhos partidos consomem todo o tempo a olhar para o seu umbigo. Os novos partidos, por sua vez, andam à procura da melhor forma de aproveitar os erros dos incumbentes. Como se percebe o valor acrescentado é igual a zero.

Aceitamos de forma natural que o funcionamento eficiente da democracia representativa seja realizado através dos partidos políticos. Mas para que esta realidade perdure é fundamental que as organizações partidárias sejam verdadeiramente representativas dos diferentes interesses presentes na sociedade.

Hoje, em Portugal, vemos a esquerda conseguir que se juntem a ela as forças mais ativas da sociedade civil sensíveis às suas ideias. Ao contrário, o centro e a direita veem fugir-lhes todos aqueles que, em condições normais, reforçariam em quantidade e em qualidade as suas fileiras. Significa isto que se do lado esquerdo do espectro, até pela sua presença no poder, há uma identificação entre os partidos e os representados, já ao centro e à direita, talvez por se sentir que o regresso ao poder está cada vez mais distante, se acentua o divórcio entre os diferentes interesses e os partidos que os deveriam representar.

Por isso se vão multiplicando iniciativas que não são mais do que formas alternativas de procurar as respostas que os partidos políticos não são capazes de dar. A insatisfação com a representação conduz a formas mais próximas da democracia direta. É nesse contexto que vão surgindo novos partidos, movimentos e iniciativas que invariavelmente resultam da desilusão dos seus promotores com o sistema vigente.

Esta dispersão que se verifica e se continuará a acentuar no espaço político da direita portuguesa, no qual se inclui naturalmente o PSD, conduzirá inexoravelmente ao seu enfraquecimento. O combate político será fratricida, não trará inovação nas ideias e nas soluções, nem provocará renovação nos dirigentes. Enquanto assim for a esquerda, de matiz mais rosado ou mais avermelhada, continuará a governar.

Preocupados que andam com as sondagens e com a composição das listas para os diferentes atos eleitorais que aí vêm, os velhos partidos consomem todo o tempo a olhar para o seu umbigo. Os novos partidos, por sua vez, andam à procura da melhor forma de aproveitar os erros dos incumbentes. Como se percebe o valor acrescentado é igual a zero. Se os líderes partidários não perceberem esta realidade estarão, tenham eles o nome que tiverem, a assinar a sua própria certidão de óbito. Nesta fase do processo já ninguém parece ambicionar vencer eleições. Provavelmente terá chegado o momento de começar a preparar o futuro com soluções inclusivas, agregadoras e verdadeiramente representativas dos eleitores naturais do centro e da direita em Portugal. Uma geringonça da direita.

Jurista

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