expresso.ptexpresso.pt - 12 jan 22:00

Incêndios. Tudo na mesma na formação

Incêndios. Tudo na mesma na formação

Relatório do Observatório Técnico Independente diz que é “urgente” formar os agentes de prevenção e de combate aos fogos rurais

Um programa nacional de formação específica para bombeiros, sapadores ou outros técnicos que integrem o sistema de gestão integrada de fogos rurais, envolvendo a Escola Nacional de Bombeiros, instituições de ensino superior e laboratórios colaborativos, ainda não saiu do papel.

A falha é apontada no relatório do Observatório Técnico Independente (OTI), entregue na Assembleia da República e divulgado esta semana.

“É urgente termos agentes mais qualificados e está-se a perder um tempo imenso ao não se apostar na formação dos operacionais”, sublinha ao Expresso o presidente do OTI, Francisco Castro Rego, para quem este é um dos pontos “mais críticos”. O especialista em floresta e incêndios rurais lembra que pouco mudou desde 2017: “Continuamos muito abaixo do que devia ser e continua-se a pensar a curto prazo, quando são precisos dois a três anos para formar gente com conhecimento e experiência.”

O presidente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF),Tiago Oliveira, argumenta que “tem-se estado a trabalhar nos perfis e competências necessários para definir o programa de formação”, envolvendo a Escola Nacional de Bombeiros, e que “mais de 2100 pessoas tiveram já formação com os peritos que estiveram em Portugal em 2018”. Já o presidente da Liga de Bombeiros, Marta Soares, diz que “os bombeiros portugueses têm formação ao nível do melhor que se faz na Europa e no mundo” e que a Escola de Bombeiros “tem de deixar de ser uma barriga de aluguer”.

Para Castro Rego, os workshops com peritos internacionais trazidos pela AGIF “não chegam para dar uma formação sólida”. E lamenta que a Liga “não perceba” a necessidade de formação que os bombeiros precisam, face “à crescente complexidade dos incêndios rurais associada a maiores acumulações de biomassa inflamável, a paisagens mais homogéneas e a interfaces urbano-florestais mais complexos”.

O relatório também acusa a AGIF de “canibalização”, já que o seu reforço é feito “à custa de recursos humanos provenientes de outras entidades importantes do sistema”, como os Gabinetes Técnicos Florestais, Associações de Produtores Florestais, ou o Instituto para a Conservação da Natureza e Florestas. “É uma crítica infundada”, refuta Tiago Oliveira, para quem estas contratações permitirão à AGIF ter “um braço armado até 2021”.

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