sol.sapo.ptsol.sapo.pt - 12 jan 17:58

Cristina alavanca SIC e faz tremer tvi

Cristina alavanca SIC e faz tremer tvi

Cristina Ferreira trouxe a liderança às manhãs da SIC, mas não só. Estas vitórias têm alavancado outros programas da estação, que tem estado na preferência dos portugueses

Só o futuro pode mostrar se é uma viragem sólida, mas, desde que se estreou, o Programa da Cristina, na SIC, lidera as audiências e tem alancado o resultado de muitos outros conteúdos da Estação de Carnaxide. Na TVI vivem-se momentos de grande tensão. Até quinta-feira, a guerra de audiências teve sempre o mesmo vencedor: Cristina Ferreira. Em consequência disso, muitos começaram o dia a ver a SIC e assim continuaram. Só no dia de estreia, o programa foi visto por mais de 500 mil portugueses. Ou seja, o que a TVI mais temia verificou-se. Depois de vários anos com o título de líder absoluta de audiências, vivem-se dias complicados em Queluz de Baixo. Na batalha da concorrência dos grandes canais da televisão portuguesa, Cristina Ferreira não apenas bateu o Você na TV - atingindo os melhores resultados da manhã de Carnaxide desde 2002 -, como conseguiu empurrar a sua nova estação para o primeiro lugar.

A transferência da apresentadora foi uma das mais comentadas e milionárias da televisão em Portugal e a expectativa sobre os resultados desta aposta era grande. Estes revelaram-se, desde a primeira hora, históricos. Só no total do dia da estreia, a estação de Carnaxide - que já há muito tentava ganhar terreno à TVI -, teve, de acordo com os dados da GFK, 20,8% das audiências, enquanto a estação de Queluz de Baixo obteve apenas 19,3%. A alavancar o resultado total esteve naturalmente o arranque da manhã. O Programa da Cristina contou com 35,5% dos telespetadores sintonizados. Falamos de um total de 531,7 mil pessoas. O programa de Goucha foi assim esmagado: ficou-se pelos 24,5% de share.

No entanto, importa referir que atualmente muitos telespetadores optam por ver televisão em diferido. A possibilidade de agendar gravações de programas nas boxes digitais e a capacidade de recuar até sete dias na programação dos canais tornou mais fácil aos telespetadores verem o que querem, quando querem. E aqui as contas são ainda mais pesadas. Falando apenas da estreia, na segunda-feira, somando os números de quem viu em direto com os dos telespetadores que recuaram até à emissão, o novo programa das manhãs da SIC atingiu um resultado verdadeiramente histórico de 40,6% de share. Falamos de 671.100 espetadores. Nos dias seguintes a tendência manteve-se. Cristina Ferreira esteve sempre à frente da dupla Manuel Luís Goucha e Maria Cerqueira Gomes.

No segundo dia, por exemplo, a apresentadora da SIC conseguiu aumentar ainda mais o fosso entre entre os dois canais. Nessa terça-feira, a SIC conseguiu em todo o dia um share de 21,3%, a TVI ficou-se pelos 18,2%. Até quinta-feira - os resultados de ontem apenas são conhecido hoje - não se registaram alterações significativas. Depois de muitos anos a perder, a SIC virou completamente o jogo. 

 TVI treme

Na estação de Queluz de Baixo, vivem-se dias difíceis. O SOL sabe que a tensão tem vindo a aumentar com o passar dos dias e já foram realizadas várias reuniões de emergência. Ao que tudo indica, Manuel Luís Goucha também já foi chamado para definir uma nova estratégia que permita voltar à liderança.

A piorar o cenário está o facto de a estação de Queluz de Baixo se ter visto envolvida numa polémica que parece ter afastado mais espetadores do que o contrário. É certo que os programas se alimentam de polémicas, que ajudam a engrossar os números, mas aqui não foi o caso. A ideia de que ‘não importa se falam bem ou mal, o que mais importa é falar’ não funcionou. A entrevista a Mário Machado, líder do movimento de extrema-direita Nova Ordem Social, levou a várias queixas junto da Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

Até João Cravinho, ministro da Defesa, tomou posição. «Uma atitude destas por parte da estação em causa não é muito diferente de quem ateia incêndios pelo prazer de ver a labaredas», chegou a dizer.

A levantar voo

No meio de toda esta luta para ocupar os primeiros lugares na tabela de preferências dos telespetadores temos assistido a uma verdadeira dança de cadeiras e a apostas em novos conteúdos. Pode mesmo dizer-se que há muitos anos que a indústria da televisão não enfrentava tantas alterações. A transferência de Cristina Ferreira no verão agitou o mercado e foi o mote para uma chuva de contratações que poderá não ficar por aqui. Mas acabou também por pressionar o aparecimento de novas «experiências sociais». Abriu-se a caixa de Pandora, com muitos a querem saber para onde se caminha em nome das audiências.

No entanto, também importa referir que estar na liderança há algum tempo nem sempre impede a queda. Basta uma má jogada para sair a perder. Vejamos: se a SIC não tivesse recusado o Big Brother talvez tivesse continuado a ser a estação com mais audiência. Durante um ano, o formato esteve numa gaveta de Carnaxide. Acabou por ser recusado. Face a isso, o produtor optou por ir bater à porta de José Eduardo Moniz, então o homem-forte da TVI. Chegou o dia 2 de setembro de 2000. O Big Brother agarrou o público: entre as 20h50 e as 23h20, a TVI teve em média 1,3 milhões de espetadores, mais cem mil que a SIC, que era até então a líder incontestada das audiências.

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