visao.sapo.ptvisao.sapo.pt - 12 jan 18:33

Segundo a ciência, esta é a fórmula para aprender mais e melhor

Segundo a ciência, esta é a fórmula para aprender mais e melhor

Aprender ao longo da vida é algo que, cada vez mais, temos de passar a fazer. Uma vez que a mudança é a única constante, o mote terá de ser aprender, desaprender e reaprender – sempre. A questão é como

Provavelmente já ouviu falar de Adam Steltzner. Conhecido como o Engenheiro Rock and Roll, foi ele quem liderou a equipa da NASA que colocou um rover em Marte. Chamou-lhe Curiosity, não por acaso. Foi graças à sua curiosidade intrínseca que, um dia, este músico banal decidiu ir estudar física e matemática, intrigado pelo movimento da constelação Orion, e foi também graças a ela que veio, mais tarde, a liderar várias equipas de investigação espacial. Este é o requisito número um da aprendizagem.
. Será que estamos a aprender da forma mais eficaz? A aprendizagem proporcionada por formações de curta duração será duradoura? Como podem as avaliações melhorar os processos de aprendizagem? Foram estes os pontos de partida para o 5º encontro anual da VdA Academia, conceito dedicada à formação lançado pela sociedade de advogados Vieira de Almeida (VdA). “A neurociência cognitiva está a pôr em causa algumas das metodologias de ensino utilizadas, até hoje, de forma universal, ao mesmo tempo que nos proporciona evidências claras de como poderemos criar novas dinâmicas de aprendizagem que, verdadeiramente, transformem o corpo, o cérebro e a mente dos seres humanos”, explica Susana Almeida Lopes, diretora da VdA Academia.

Durante a conferência, organizada pela sociedade de advogados VdA, os participantes foram incentivados a testar, através de um questionário online em tempo real, o que aprenderam durante a tarde

Durante a conferência, organizada pela sociedade de advogados VdA, os participantes foram incentivados a testar, através de um questionário online em tempo real, o que aprenderam durante a tarde

Luís Barra

No painel moderado por Mafalda Anjos, diretora da VISÃO, media partner do encontro que se realizou na semana passada, em Lisboa, debateu-se como a neurociência e a economia comportamental podem ajudar a aprender melhor. Numa coisa todos concordam: a curiosidade, tão ou mais importante do que a inteligência, deve ser estimulada e incentivada em todos os contextos, mesmo os laborais. “Quando somos curiosos e fazemos perguntas abrimo-nos para o desconhecido, e isso altera a química do cérebro”, destaca Paula Marques, da Porto Business School. A aprendizagem e a inovação otimizam-se com a “partilha de conhecimento em pequenas equipas de pares e com alguma dose de esforço”, adiantou a docente. O sacrifício é uma parte importante do processo, demasiada facilidade não estimula ninguém.

A Ciência também explica como reter mais conhecimento. “Recuperar informação relevante, sem que esta se perca rapidamente, faz-se gravando pistas emocionais do que armazenamos e através de testes interativos”, esclarece Diana 
Orghian, psicóloga investigadora no M.I.T. Media Lab, nos Estados Unidos da América, e scientific advisor na CLOO, Behavioral Insight Unit, uma empresa de consultoria em economia comportamental. “Os estudos mostram, por exemplo, que testes com consulta não são eficazes”, acrescenta. Outro dado curioso da neurociência: “Só sabemos que ainda não sabemos ao darmos respostas erradas.” Por isso, a avaliação é essencial para a retenção de informação, mas deve-se afastar a carga negativa que a palavra ainda acarreta (há quem sugira por isso a sua substituição por “aferição”). Numa lógica de risco e inovação, o medo de errar e de ser castigado tem de ficar de fora, sublinha.

Já Pedro Cunha, responsável das Academias do Conhecimento da Fundação Calouste Gulbenkian, diz que é preciso redesenhar a forma como se aprende ao longo da vida, valorizando-se o mérito e sem levar em linha de conta crenças entretanto derrubadas pela neurociência, como as que supõem que “só usamos 10% do cérebro” e que “burro velho não aprende línguas”.

4 Mitos a desfazer

O que revelam os estudos de psicologia cognitiva e de neurociência sobre como aprendemos e retemos melhor os conhecimentos

1º Mito
A forma de ensino deve implicar um processo fácil, simples e rápido
Facto
O que é fácil e rápido não é necessariamente eficaz. A aprendizagem duradoura implica algum grau de dificuldade e de complexidade, necessárias para aumentar a perícia

2º Mito
Desde que se dediquem horas suficientes ao estudo, não interessa a forma como se distribuem essas horas (podem ser seguidas e não espaçadas no tempo)
Facto
Devemos espaçar no tempo as sessões de formação e incentivar momentos de pausa e de reflexão.

3º Mito
Os conteúdos devem ser organizados por módulos/temas
Facto
Temas intercalados e testes versáteis, diversificados e espaçados no tempo consolidam e fortalecem o conhecimento

4º Mito
O que nos lembramos no dia seguinte fica para a vida
Facto
Lembramo-nos 100% do que acabámos de ouvir, mas em média só recordamos 21% um mês depois (curva de esquecimento de Ebbinghaus). Recuperamos melhor a informação a partir de pistas vividas e partilhadas com outros

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