www.jn.ptjn.pt - 12 jan 09:52

O Facebook saltou para o ecrã da televisão

O Facebook saltou para o ecrã da televisão

Um hammerskin na TVI. Marcelo a ligar para Cristina no mesmo dia em que Vieira chorou em direto. Os canais de televisão parecem encaminhados para o que mais perigoso têm as redes sociais: a emoção exacerbada e as notícias falsas.

João Canavilhas, investigador da Universidade da Beira Interior especialista em comunicação, analisou o processo de remediação inversa descrevendo-o como o momento em que um meio, seja a TV ou a rádio, utiliza características de plataformas subsequentes. Escreveu isto centrado nas potencialidades tecnológicas, longe de imaginar a forma como os programas da manhã da TV portuguesa se estão a vergar à ditadura das redes sociais.

A presença de um dos fundadores do movimento hammerskin em Portugal, nas manhãs da TVI, ficou marcada pela enorme quantidade de afirmações pouco precisas. Longos minutos em que o contraditório foi feito por alguém que, como noticiou o JN, não tem carteira de jornalista. Afirmações que foram partilhadas em páginas suspeitas ao longo da semana, novamente sem contraponto. Não foi isto que Donald Trump fez nas redes sociais durante a sua campanha para as presidenciais nos EUA?

Num outro programa da manhã, desta vez na SIC, vimos o presidente de um clube a chorar em direto, pouco depois de o Presidente da República ter ligado a congratular a apresentadora Cristina Ferreira pelo novo espaço televisivo. Duas intervenções que primam pela exploração da emoção, que vimos repetidamente acontecer nos diretos que as celebridades fazem nas redes sociais. Não foi isto que Luciana Abreu fez depois das notícia do divórcio?

A guerra pelas audiências televisivas acontece ao mesmo tempo em que os mass media parecem estar a aproximar-se cada vez mais da linguagem das redes sociais. Vale quase tudo por um like ou, neste caso, por mais um bocadinho de share.

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