expresso.ptexpresso.pt - 12 jan 16:30

Há 30 mil portugueses a preparar-se para fazer férias na neve. E a temporada vai ser mais longa em 2019

Há 30 mil portugueses a preparar-se para fazer férias na neve. E a temporada vai ser mais longa em 2019

O turismo de neve e nas estâncias de esqui está a atrair um número crescente de portugueses, sobretudo jovens. O operador Sporski, que em Portugal lidera este mercado, fechou o ano com o negócio a crescer para 11 milhões de euros

Estão a chegar os grandes nevões da Europa, que são uma festa para os amantes do esqui – entre os quais se inclui um número crescente de portugueses. “A neve chega cada vez mais tarde, mas também vai embora cada vez mais tarde, segundo o histórico dos últimos anos”, nota Bruno Vilar, diretor-geral da Sporski, operador turístico nacional 100% dedicado à neve, e que em Portugal é líder deste mercado.

Refletindo o efeito das alterações climáticas, a neve tarda em chegar mas, segundo as previsões da Sporski, “tudo indica que a partir de meados de janeiro volte em força”. Não foi pelo norte, mas sim pelo sul que o frio da neve chegou este ano à Península Ibérica – o que significa que as estâncias de Serra Nevada estiveram mais consistentes que as dos Pirinéus ou de Andorra quando a temporada arrancou, a 1 de dezembro. Em 2019, “a temporada será mais extensa do que o habitual, porque as habituais férias da Páscoa só terminam a 21 de abril”.

O operador de turístico, que integra a Geostar, está a organizar a Sporski Snow Weekend, que decorre a 12 e 13 de janeiro na Alfândega do Porto. Neste evento dedicado ao turismo de neve vai haver descontos especiais na compra de férias em estâncias de esqui, contando-se com a presença de representantes de várias estâncias de Andorra e de Espanha. Também terá espaços de preparação física para a neve, incluindo para quem o quer fazer pela primeira vez, além de ‘snow talks’ de especialistas ou zonas de animação.

PACOTES ESPECIAIS PARA FAMÍLIAS “MADE IN PORTUGAL”

Segundo o responsável da Sporski, o turismo de neve já é um “mercado maduro” em Portugal, e com uma tendência de crescimento sobretudo junto das camadas mais jovens. Na última temporada, a Sporski organizou viagens na neve a cerca de 20 mil clientes nacionais, e não havendo sobre este mercado dados oficiais “acreditamos que existam entre 25 mil a 30 mil esquiadores ativos em Portugal, tendo em conta os números a que temos acesso dos nossos parceiros internacionais”. O esqui mantém-se a modalidade mais praticada pelos adeptos portugueses, embora o snowboard esteja a conquistar um peso crescente junto dos mais jovens.

A Sporski faturou 11 milhões de euros em 2018 a organizar férias de neve para os portugueses

A Sporski faturou 11 milhões de euros em 2018 a organizar férias de neve para os portugueses

foto Sporski

Os portugueses adeptos da neve viajam na sua maioria para estâncias de proximidade, sendo Andorra e Espanha os destinos preferidos. As viagens são preferencialmente feitas de carro, e para uma permanência média entre três e cinco noites. Segundo a Sporski, além da proximidade, também “a língua, as infraestruturas modernas e a excelente relação preço-qualidade” são fatores de peso nesta decisão.

Nas estâncias de Andorra e de Espanha os preços médios por pessoa vão desde 500 euros por cinco dias (o que inclui hotel em meia pensão, ‘forfait’ para as pistas de neve e seguro), enquanto nos Alpes “o valor já é 30 a 40% mais caro”, faz notar Bruno Vilar.

O turismo de neve para os portugueses, segundo o responsável da Sporski, “está muito associado ao período das férias escolares”, tendo em conta que a maioria viaja em família. E aqui o operador turístico português lançou um produto que é uma inovação a nível mundial: a criação de pacotes para famílias.

“Temos um preço único por família, é um conceito que criámos nos tempos de crise. Por pouco mais de 1000 euros, uma família pode ficar numa estância em Andorra, o que também inclui aluguer de equipamentos ou entrada no espaço termal”, refere o diretor-geral da Sporski, frisando que “este produto para famílias não existia, é um conceito único, e nós somos criativos”.

Outras novidades do operador a nível de produto são as viagens de autor, desenhadas e acompanhadas por especialistas em “lugares inspiradores” nos Alpes. “São viagens com personalidade, limitadas, em que o próprio autor participa, e é um conceito que singrou: os três programas que lançámos este ano para os Alpes franceses já esgotaram”.

Conseguir ter uma base de clientes portugueses para viagens de neve, num país em que só há uma estância de esqui (Serra da Estrela), foi “um negócio que se foi construindo ao longo dos anos e com muito trabalho, pois não havia à partida este interesse generalizado em Portugal”. Nos últimos anos a Sporski tem avançado com uma série de iniciativas junto de escolas, destacando-se a organização de viagens de finalistas Sumol Snowtrip, que já faz há 13 anos. “Todos os anos temos levado 1400 a 1500 jovens nestas viagens com um conceito diferente, para ajudar a despertar a paixão pelas férias na neve”, adianta Bruno Vilar. “No passado as viagens de neve eram vistas em Portugal como algo de elite, e hoje já são um produto acessível à maioria das pessoas”.

O negócio da Sporski a organizar viagens de neve para os portugueses atingiu 11 milhões de euros em 2018, num crescimento de 8%. O diretor-geral avança que “como líderes de mercado temos acesso a números das várias estâncias, e a minha perceção é que o negócio global esteja entre 14 milhões e 16 milhões de euros”.

A previsão do operador português de neve é atingir um crescimento anual de 20%, até devido às vendas que iniciou no mercado espanhol em outubro de 2018. “O mínimo exigível é crescer 10%, há sete milhões de esquiadores em Espanha e é um mercado substancialmente maior que o nosso”.

No que toca a Portugal, a previsão também é de crescimento. “O esforço que fizemos durante tantos anos a despertar o interesse pela neve tem compensado, e hoje temos milhares de clientes portugueses fidelizados e que partilham a nossa paixão”, realça Bruno Vilar. “Ano após ano, temos cada vez mais portugueses a fazer férias na neve”.

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