www.jn.ptjn.pt - 12 jan 13:58

Retirada de amianto durante dia de aulas preocupa pais

Retirada de amianto durante dia de aulas preocupa pais

A Escola EB 2, 3 Sophia Mello Breyner, em Arcozelo, Gaia, está em obras e, esta semana, a retirada do telhado de amianto de um dos pavilhões durante o período de aulas deixou alguns pais preocupados.

Apesar de o edifício intervencionado estar vedado, os encarregados de educação desconhecem a distância a que se encontra das crianças e alguns alunos acabaram até por ficar indispostos no final do dia.

Paula Leite, mãe de um aluno do 8.º ano, tem dúvidas sobre as consequências que o contacto com a substância poderá ter. "A zona está restrita aos miúdos, mas não sabemos a que distância. E se mais tarde lhes acontecer alguma coisa?", questiona a encarregada de educação.

Uma aluna da escola teve, segundo contou a mãe, dores de cabeça e ficou "um bocadinho" enjoada. "Não conseguimos perceber porquê. Quando soubemos da intervenção é que pensámos que poderia ser do amianto", relatou.

"Quarta-feira fomos alertados por alguns pais sobre a retirada do amianto", afirmou Luzia Veludo, diretora daquele estabelecimento, com alunos entre o 5.º e o 9.º anos de escolaridade, garantindo não ter tido conhecimento do procedimento. "Contactámos de imediato a Câmara de Gaia, responsável pela obra que alertou a construtora e parou de imediato a remoção", garantiu Luzia Veludo.

A Autarquia assegurou que "o trabalho de remoção de amianto se enquadra na empreitada de requalificação" daquela escola e que "foi devidamente autorizado". "Estava naturalmente previsto, como aconteceu, aliás, e também em período letivo, nas outras EB cujas obras a Câmara de Gaia comparticipa (Valadares e Costa Matos), sem qualquer alarme", acrescentou a Câmara.

Obras agora só nas férias

Os pais da EB 2, 3 Sophia de Mello Breyner estão inquietos. "O meu filho viu os trabalhadores de manhã equipados com um fato que apenas deixava ver os olhos. Enquanto os miúdos andavam por ali a brincar sem qualquer proteção", relatou um dos pais.

Apesar do alarme, Sara Pinto, presidente da Associação de Pais garantiu que não recebeu nenhuma queixa formal por parte de nenhum pai. A partir de agora, "a retirada do amianto deverá ser feita durante as interrupções letivas ou aos fins de semana. Não haverá obras com a presença de adultos ou crianças na escola", garantiu a diretora, Luzia Veludo.

Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional de Saúde Pública, garante que "a remoção de amianto está fortemente regulada" e que "as empresas têm regras muito apertadas". No entanto, se inalado, pode, de facto, acarretar um risco. "Como há obras, podem existir poeiras no ar. Mas até isso tem de ser examinado. Resta saber se essas regras foram cumpridas", explicou Ricardo Mexia. "A interrupção letiva do Natal poderia ter sido usada para fazer essa remoção", disse, esclarecendo que "não há registo de reação imediata à exposição do amianto".

25
1