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Gulbenkian assinala centenário de Jorge de Sena com jornada dedicada ao escritor

Gulbenkian assinala centenário de Jorge de Sena com jornada dedicada ao escritor

Iniciativa decorre no dia 22 de Janeiro, com uma conferência e o lançamento de um número especial – o 200 – da revista Colóquio/Letras.

O centenário do nascimento do escritor Jorge de Sena (1919-1978) vai ser assinalado com o lançamento do número 200 da revista Colóquio/Letras, numa conferência a decorrer no dia 22 de Janeiro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Para celebrar a chegada ao número 200, a revista Colóquio/Letras, publicada pela Fundação Calouste Gulbenkian, faz uma homenagem ao escritor Jorge de Sena, que este ano faria 100 anos, com um lançamento marcado por uma conferência, na qual especialistas portugueses e brasileiros repensam, à luz do século XXI, a obra multifacetada do autor de "Sinais de Fogo", segundo informação disponibilizada pela Gulbenkian.

A Jornada Jorge de Sena começa com uma intervenção do ensaísta e poeta Nuno Júdice sobre o escritor, na perspectiva de "uma poética total", a quem se segue Ida Alves, professora brasileira de literatura portuguesa, que abordará a perspectiva do "exercício da crítica".

O professor catedrático de estudos ingleses Mário Avelar fará depois uma intervenção subordinada ao tema Sena: tradições estéticas anglo-saxónicas e identidade literária.

Ana Paixão, especialista em literatura comparada e estética musical, vai abordar a Arte seniana de música para poema e tecla, enquanto Tania Martuscelli, professora especializada em literatura e cultura dos séculos XX e XXI em língua portuguesa, com foco nas vanguardas, nomeadamente o surrealismo, falará sobre Jorge de Sena e a Ofélia surrealista.

A jornada retoma da parte da tarde com uma prelecção da professora brasileira Gilda Santos sobre o longo exílio de Jorge de Sena no Brasil, a que se segue Jorge Vaz de Carvalho, mestre em literaturas e autor do livro Jorge de Sena - Sinais de Fogo como romance de formação, que se debruçará sobre o romance Sinais de Fogo, mas na perspectiva da "formação da voz poética".

Jorge Fazenda Lourenço, especialista em línguas e literaturas, com uma dissertação sobre a poesia de Jorge de Sena, de cuja obra é co-editor literário, vai centrar-se no tema Ainda e sempre o exílio de Jorge de Sena.

O poeta, ensaísta e crítico literário António Carlos Cortez revisitará "o lugar da poesia" através de uma comparação entre Sena e Rimbaud.

A conferência conta ainda com intervenções de Gastão Cruz, Fernando J. B. Martinho, Helder Macedo e Isabel de Sena, e termina com leituras pelo encenador Jorge Silva Melo.

Jorge de Sena, considerado hoje um dos grandes poetas de língua portuguesa e uma das figuras centrais da cultura do século XX, nasceu em Lisboa a 2 de Novembro de 1919 e morreu em Santa Barbara, na Califórnia, a 4 de Junho de 1978.

Poeta, crítico, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, tradutor e professor universitário, naturalizou-se brasileiro em 1963, durante o seu exílio no Brasil, que durou de 1959 a 1965, ano em que se mudou para os Estados Unidos, para fugir à ditadura militar entretanto instalada no Brasil.

Formou-se em engenharia civil, mas a sua inclinação natural para a literatura levou-o, durante o curso, a escrever poemas, artigos, ensaios e cartas, prática que, aliás, começou aos 16 anos.

Em 1940, publicou, sob o pseudónimo de Teles de Abreu, os seus primeiros poemas na revista Cadernos de Poesia, dirigida por Ruy Cinatti, Blanc de Portugal e Tomás Kim, e dois anos depois publicou o seu primeiro livro de poemas, Perseguição, considerado, na altura, um livro revelador mas difícil.

Jorge de Sena tem também uma obra fecunda em epistolografia, com figuras importantes da literatura portuguesa e brasileira, sendo a sua obra de ficção mais famosa o romance autobiográfico Sinais de Fogo, adaptado ao cinema em 1995 por Luís Filipe Rocha.

Grande parte da obra do escritor foi publicada postumamente pelos cuidados da viúva, Mécia de Sena.

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