www.dinheirovivo.ptdinheirovivo.pt - 12 jan 08:03

Porto. Santa Catarina é rua de tradição com lojas para todos

Porto. Santa Catarina é rua de tradição com lojas para todos

Em Santa Catarina, no Porto, não faltam portugueses às compras, mas cada vez há mais turistas. Lojas tradicionais convivem com marcas internacionais

Santa Catarina é indiscutivelmente a principal artéria comercial da Invicta. A rua das antigas Galerias Palladium, do Café Majestic, do Grande Hotel do Porto ou da Livraria Latina – por onde, por hora, caminham mais de quatro mil pessoas – está a registar um novo fulgor com o despertar do interesse de marcas internacionais, de fundos de investimento imobiliário e de projetos turísticos. Nos últimos seis anos, o preço do metro quadrado aumentou mais de cem por cento e não é por isso que deixou de captar atenções. O comércio é ainda muito alimentado pelos portuenses, mas, a cada dia que passa, a relevância dos turistas aumenta.

Na Casa Cerdeira, mercearia fina que abriu portas em 1937, os visitantes estrangeiros já pesam quase 40% na faturação, conta António Brandão, neto do fundador. É certo que alterou um pouco o modelo de negócio, dando maior foco aos vinhos mas, seja pelo afamado Porto, seja pelas frutas que exibe à entrada, na Casa Cerdeira entram clientes de todas as nacionalidades. O responsável gostava que as autoridades investissem mais na rua, nomeadamente numa cobertura, e no comércio tradicional. “Os turistas não querem ver lojas como a Zara ou Fnac, isso também eles têm”, frisa. Opinião semelhante tem Joel Azevedo, presidente da Associação dos Comerciantes do Porto, que alerta para a necessidade de não descaracterizar a rua.

Segundo dados da Cushman & Wakefield, os retalhistas independentes dominam de forma destacada a oferta comercial, que no conjunto engloba 187 negócios e mais de 57 mil metros quadrados. Mas é bom recordar que a primeira loja Zara fora de Espanha abriu em Santa Catarina, em 1988, e hoje o grupo Inditex espalhou pela rua as suas várias insígnias. Como refere Marta Costa, diretora de research da consultora, as lojas térreas são as que têm rendas mais caras. Nas suas contas, o preço do metro quadrado numa zona premium de Santa Catarina pode atingir os 75 euros, quando, em 2013, rondava os 35 euros.

A pé e para todos
Os cinco quarteirões pedonais são, ainda, um misto de tradição e modernidade. Um caminho que atravessa todas as carteiras e une portugueses e estrangeiros. Encontram-se as lojas tradicionais e especializadas como a Nova LMA (artigos para ballet), a Casa Rocha (produtos de costura), a Branca de Neve (sapatos de cerimónia), juntas com marcas internacionais como a Rolex, Havaianas, Swarovski ou Ale-Hop e edifícios emblemáticos, como o Grande Hotel do Porto ou a Capela das Almas, do século XVIII.

Nos últimos anos, surgiram as gift shops, as lojas de produtos regionais, as geladarias… Tudo alicerçado em edifícios recuperados (embora ainda haja muito a fazer) onde predominam os hostels, os alojamentos locais e os apartamentos de charme para arrendar a turistas. O movimento é contínuo, um sobe e desce mais ou menos apressado, que até trouxe novos clientes à Livraria Latina. Uma das montras é já inteiramente dedicada a livros de autores portugueses traduzidos para inglês, francês e espanhol. “Vende-se”, diz o livreiro Joaquim Santos.

Patrícia Araújo, responsável pela área do retalho da JLL, sublinha que “a procura é muito grande e é essa pressão que levou ao aumento dos preços”. Luís Mesquita, responsável da CBRE no Porto, realça “a dinâmica brutal” da Baixa do Porto, onde Santa Catarina é epicentro, que “nunca tinha registado um crescimento tão intenso”. A tendência é para manter e alargar a esfera até à Avenida dos Aliados, onde a aposta passa pelas lojas de luxo.

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