expresso.ptexpresso.pt - 11 jan 10:43

'Baião', o novo arguido de Tancos que vivia na Suíça

'Baião', o novo arguido de Tancos que vivia na Suíça

Tem a alcunha de 'Baião' e era amigo e ex-sócio do principal suspeito do assalto aos paióis de Tancos. É o 20.º arguido do caso

O mais recente detido da Polícia Judiciária tem a alcunha de 'Baião' e era amigo e ex-sócio de João Paulino, o principal suspeito do roubo do arsenal de Tancos. 'Baião' é o 20º arguido do caso e o 19º detido, tendo ficado em prisão preventiva.

O Expresso sabe que 'Baião' vivia e trabalhava nos últimos tempos na cidade de Bienne, na Suíça. E que há quatro meses, João Paulino viajou do Porto para ir ter com ele rumo à Suíça. O encontro foi rápido, tendo apenas durado um dia.

De acordo com a investigação, João Paulino tinha uma relação de grande confiança com este arguido que fazia parte do chamado grupo de Ansião, localidade onde ficava situado o bar gerido por João Paulino. Há, aliás, outros arguidos detidos que são desta cidade.

Segundo o jornal 'i', 'Baião' tinha estado em Portugal durante a época natalícia. A sua passagem pelo país foi aliás monitorizada pelas autoridades que já tinham emitido um mandado de captura internacional em seu nome.

O suspeito foi detido na última quarta-feira e ouvido por um juiz de instrução que decretou a prisão preventiva.

O furto de material de guerra ocorreu entre a noite do dia 27 e a madrugada do dia 28 de junho de 2017, no Paiol de Tancos. Em causa estão factos suscetíveis de integrarem crimes de associação criminosa, furto, detenção e tráfico de armas, terrorismo internacional e tráfico de estupefacientes.

O inquérito corre termos no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e o Ministério Público é coadjuvado pela Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária.

Na primeira fase da Operação Húbris, que teve lugar em setembro, foi detido o ex-diretor da Polícia Judiciária Militar (PJM), bem como operacionais desta força policial e da GNR de Loulé, por organizarem uma operação de encobrimento da entrega do arsenal com João Paulino.

As armas, que se encontravam escondidas na propriedade da avó de Paulino, foram depositadas num baldio na Chamusca, em outubro de 2017. O caso gerou grande tensão entre a PJM e a PJ, que detinha o inquérito do processo.

Essas detenções de setembro levaram à queda do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, bem como à demissão de Rovisco Duarte, Chefe do Estado-Maior do Exército.

Já a segunda fase da Operação Húbris, que ocorreu há cerca de um mês, levou para a prisão alguns dos alegados cúmplices do assalto. Entre eles está um ex-militar colocado no regimento de engenharia em Tancos na altura do furto das armas e munições.

Um dos arguidos que não se encontra detido, conhecido no submundo do crime por 'Fechaduras', terá revelado aos procuradores do DCIAP que os compradores dos explosivos roubados seriam membros da ETA, mas estas afirmações terão já sido desvalorizadas pela investigação.

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