expresso.ptexpresso.pt - 11 jan 09:26

República Democrática do Congo. Igreja Católica questiona resultados das eleições presidenciais

República Democrática do Congo. Igreja Católica questiona resultados das eleições presidenciais

Com 40 mil observadores eleitorais, a instituição afirma que os resultados divulgados não correspondem aos que apurou. Félix Tshisekedi foi declarado vencedor, enquanto o outro candidato da oposição, Martin Fayulu, ficou em segundo. Fayulu acusa Tshisekedi de ter chegado a um acordo de partilha de poder com o partido que atualmente governa o país

A Igreja Católica na República Democrática do Congo questionou os resultados das eleições presidenciais, divulgados na quinta-feira, que dão o candidato da oposição Félix Tshisekedi como o vencedor das eleições de 30 de dezembro.

Segundo a comissão eleitoral, Tshisekedi ganhou com 38,5% dos votos, o que corresponde a sete milhões de votos. O outro candidato da oposição, Martin Fayulu, terá conseguido 6,4 milhões de votos, enquanto o candidato apoiado pelo partido no poder, Emmanuel Shadary, mereceu a confiança de 4,4 milhões de eleitores.

A Igreja, que afirma ter mobilizado 40 mil observadores eleitorais, diz que os resultados divulgados não correspondem aos resultados que apurou.

“O resultado é um golpe”

Em declarações à BBC, Fayulu anunciou que irá desafiar legalmente a contagem oficial dos votos. “O resultado é um golpe e não corresponde à verdade da votação. Os congoleses querem mudança”, disse. Fayulu acusa ainda Tshisekedi de ter chegado a um acordo de partilha de poder com o partido que governa atualmente, uma alegação que o Presidente eleito rejeita.

Em caso de confirmação dos resultados, Tshisekedi será o primeiro candidato da oposição a vencer desde que o país se tornou independente em 1960. Prometendo ser “o Presidente de todos os congoleses”, Tshisekedi sublinhou que “ninguém poderia imaginar um cenário em que um candidato da oposição sairia vitorioso”.

Candidato do partido no poder não contesta resultados

O atual Presidente, Joseph Kabila, abandonará o poder após 18 anos no cargo. Inicialmente, o candidato do seu partido era o favorito mas acabou por ficar em terceiro lugar e não irá contestar os resultados. Os apoiantes de Fayulu defendem que este quadro reforça a suspeita de que Tshisekedi chegou a acordo para a partilha de poder com Kabila.

Na quinta-feira, após a divulgação dos resultados, dois civis e dois agentes da polícia foram mortos na cidade de Kikwit em confrontos que provocaram também dez feridos.

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