www.sabado.ptleitores@sabado.cofina.pt (Sábado) - 10 jan 09:00

A normalidade da loucura

A normalidade da loucura

Marcelo Rebelo de Sousa tem um importante desafio à sua frente: pacificar a sociedade civil virtual. Para isso, o Presidente deveria telefonar a Manuel Luís Goucha e anunciar, em direto, que pretende receber Mário Machado numa audiência no Palácio de Belém - Opinião , Sábado.

Manuel Alegre escreveu que "há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não". Poeta com esperança, Alegre procurou nas palavras o ato de revolta contra um sistema instalado num País em que o vento preferia "calar a desgraça", nada dizer, quando questionado sobre as últimas novidades. Para bem da sua sanidade mental, é bom que Alegre não insista. Se os versos do poeta fizeram todo o sentido naquela infeliz época da História de Portugal, a evocação do poema nos dias que correm só nos pode conduzir a uma gargalhada ou à depressão como o melhor remédio para combater a alucinação coletiva que por aí anda.

Tudo começou com a presença na televisão do ex-condenado, atualmente investido no papel de Motard do grupo "Bandidos" (classe!), e ativista social de extrema-direita através da plataforma por ele criada, qualquer coisa como Nova Ordem Social. Claramente inspirado nos últimos filmes de A Guerra da Estrelas e a Primeira Ordem, Machado criou um animado rebuliço nas redes sociais, o que até levou à publicação de uma carta aberta subscrita por umas quantas alegadas personalidades. "O racismo e o fascismo não passarão!" foi o grito de guerra do documento, que acusou a TVI e os apresentadores Manuel Luís Goucha e Cristina Ferreira de promoverem a xenofobia e o racismo. Só faltou mesmo a homofobia.

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