eco.sapo.pteco.sapo.pt - 8 dez 12:33

França. Milhares nas ruas, 700 detidos, estradas cortadas

França. Milhares nas ruas, 700 detidos, estradas cortadas

A maioria dos manifestantes concentra-se em Paris, mas percorrem todo o país e chegam também a cidades como Bruxelas. Em França, há 31 mil manifestantes.

Ainda a manifestação deste sábado não tinha começado e já as autoridades francesas tinham detido perto de 300 pessoas para interrogatório, em Paris. Poucas horas depois, e já com a manifestação a decorrer em várias cidades de França, foram detidas mais de 500 pessoas e há autoestradas cortadas, incluindo algumas que fazem ligações entre fronteiras. Na quarta marcha dos chamados “coletes amarelos”, a polícia reforçou os meios para responder aos milhares de manifestantes pedem a demissão de Emmanuel Macron.

Os dados são avançados pela agência noticiosa francesa AFP, que indica que a polícia deteve cerca de 700 pessoas por “participação em grupo com intenção de preparar atos de violência contra pessoas ou destruição”. Foram ainda interrogadas várias centenas de manifestantes, sem terem sido detidos. Ao todo, contam-se 31 mil manifestantes em França, ainda de acordo com a AFP.

A maioria dos manifestantes concentra-se em Paris, onde a polícia vai dispersando as marchas com o lançamento de gás lacrimogéneo. Mas as manifestações percorrem todo o país e chegam também a cidades como Bruxelas, onde já há mais de uma centena de detidos.

O protesto faz-se também em autoestradas, que os manifestantes estão a bloquear. O El País dá conta de que as principais ligações entre França e Espanha estão cortadas pelos coletes amarelos. O Centro Nacional de Informação Rodoviária espanhol indica que a manifestação cortou, pelo menos, três autoestradas que ligam os dois países.

Em todos os pontos do protesto, os manifestantes exigem a demissão do Presidente francês. “Estamos aqui para que nos oiçam. A violência não vai resolver nada, mas têm de compreender que estamos fartos”, diz uma manifestante na Bretanha, em declarações ao El País. “Ficar em casa ajuda Macron”, gritam outros nos arredores de Paris.

A manifestação dos “coletes amarelos” começou em protesto contra o aumento dos impostos sobre os combustíveis, uma medida que já foi anulada pelo Presidente francês, mas tomou já dimensões muito superiores. No início desta semana, 800 técnicos de ambulância recorreram a 600 veículos para bloquearem a ponte que liga a Assembleia Nacional à Place de La Concore, em Paris, exigindo o fim da reforma de Emmanuel Macron que visa estabelecer que os hospitais e clínicas privadas escolham as ambulâncias por concurso.

Já esta quinta-feira, os estudantes encerraram centenas de escolas em França, em luta contra a reforma que Macron pretende levar a cabo no ensino secundário e superior. Entretanto, o maior sindicato do setor agrícola também já anunciou uma mobilização na próxima semana e dois sindicatos do transporte rodoviário convocaram uma greve, a partir de domingo, por tempo indeterminado.

Perante este cenário, o Governo francês destacou 89 mil polícias para as ruas onde os protestos estão a realizar-se este sábado, deixando parte do país a meio gás: Torre Eiffel e Louvre encerrados, caminha pelo clima afastada de Paris, vários estabelecimentos comerciais encerrados e jogos de futebol adiados.

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