24.sapo.ptDiogo Faro - 8 dez 16:04

A beleza do nacionalismo crescente

A beleza do nacionalismo crescente

Sou muito pouco voyeur da desgraça alheia, não vejo reality shows, nem sequer abrando na estrada para ver melhor um acidente. Acho até deplorável que tanta gente o faça, ...

Bolsonaro, Trump, Orban, Salvini, Le Pen, a AfD como segunda força política na Alemanha, a ilha da Dinamarca para imigrantes. E agora, na Andaluzia, foram eleitos para o Governo regional 12 deputados pelo Vox, o amoroso partido que é anti-imigração, anti-direitos LGBT, anti-aborto, que quer revogar as leis que criminalizam a violência de género e, claro, tem o lema “os espanhóis primeiro”. Se à porta de Auschwitz dizia “O trabalho liberta”, o nacionalismo diz por todo o lado “o ódio liberta”, com a diferença que neste caso as pessoas estão a aderir voluntariamente como lemmings que vêem o da frente a cair no buraco mas, ainda assim, seguem adiante até caírem também. Uma epopeia de estupidez e ódio num espectáculo trágico-cómico. Não é preciso saber assim tanto de História para saber como é que esta brincadeira vai acabar (mal, tão mal) para toda a gente, tirando para um punhado deles que esteja no poder.

No entanto, acho que isto do nacionalismo também é só para os que lhe convém, sinto falta de mais profundidade e compromisso. Se é para aderirmos ao nacionalismo, tem de ser mesmo a sério, em todas as áreas e que adiram todos os países também.

Bas Dost, Jonas, Brahimi, e todos os outros, recambiados logo para a terra deles. Essa era a primeira. E depois, tudo por aí fora: Apple, Samsung, IKEA, Facebook, Instagram, Google, todas as marcas de carros, electrodomésticos, comida importada, rodízios brasileiros, pizza, sushi, whisky, gin, vodka, erva, coca, todos os medicamentos com patentes estrangeiras, Zara, Fred Perry, H&M, tudo o que seja cultura não portuguesa, seja música, cinema ou literatura (incluindo o "Mein Kempf", sim), e tudo, tudo, absolutamente tudo o que não seja nacional. E aí, sim, era nacionalismo em condições. Íamos andar para trás uns quantos séculos, mas o que importa é defender os valores e os produtos nacionais a todo o custo sem ter que levar com nojo estrangeiro, não é verdade?

Para não pensarem que seria tudo mau, pensem que o Ronaldo voltaria para Portugal (embora tivesse que jogar de chuteiras da Sanjo), que iam comer cozido e feijoada muito mais vezes do que os médicos recomendam, e que não havendo televisão nem internet, iríamos estar todos muito mais tempo juntos nos cafés a odiar os estrangeiros.

Sugestões mais ou menos culturais que, no caso de não valerem a pena, vos permitem vir insultar-me e cobrar-me uma jola:

- "Biografia dos Amantes Involuntários": livro de João Tordo. Não adorei, mas é bonito.

- "Black K Klansman": novo filme do Spike Lee sobre uma história verídica de um infiltrado no KKK. Muito bom, gostei mesmo.

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