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Cristãos perseguidos. Santa Sé critica “interpretação seletiva” dos direitos humanos

Cristãos perseguidos. Santa Sé critica “interpretação seletiva” dos direitos humanos

Mensagem foi transmitida durante um conselho de ministros da OSCE, em Milão.

O secretário do Vaticano para as Relações com os Estados deixou na sexta-feira em Milão uma mensagem dura contra a inoperância internacional perante o terrorismo e os extremismos religiosos, durante um conselho de ministros da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa.

Na sua intervenção, publicada pela sala de imprensa da Santa Sé, o arcebispo inglês Paul Gallaguer frisou que “toda e qualquer política deve estar centrada nas pessoas” e “ignorar mesmo que seja só um direito humano” tem de ser completamente “inaceitável”.

Aqui o representante da Santa Sé recordou a situação dos cristãos que continuam a ser alvo de “sentimentos e manifestações de intolerância e de discriminação”, perante a passividade de muitos Estados, naquilo que o Papa Francisco já apelidou como uma “interpretação redutora da liberdade religiosa e de crença”.

“Se nós pretendemos de facto uma política mais ampla de prevenção e de combate à intolerância e à discriminação, temos de rejeitar esta interpretação seletiva e dar a atenção devida a estas manifestações de intolerância e perseguição”, frisou o arcebispo Paul Gallaguer.

Para o secretário do Vaticano para as Relações com os outros Estados, é como se existisse uma “hierarquia para os direitos humanos”, onde os atentados à liberdade religiosa são vistos muitas vezes como “o último preconceito aceitável, em muitas sociedades”.

Uma conceção que “procura reduzir a religião para a silenciosa obscuridade da consciência individual, ou relegá-la para o ambiente fechado das igrejas, sinagogas e mesquitas, revelando não apenas uma compreensão falhada do verdadeiro significado da liberdade religiosa, mas também do verdadeiro papel da religião na sociedade”, salientou o mesmo responsável.

O secretário do Vaticano para as Relações com os outros Estados concluiu a sua intervenção com um desafio a todos os Estados com assento na OSCE.

Paul Gallaguer exortou-os a “reconhecerem que a única conceção significativa da dimensão humana é aquela que busca um entendimento comum dos direitos humanos universais e das liberdades fundamentais, bem como a sua proteção e promoção”.

O arcebispo britânico declarou ainda que “a Santa Sé continua empenhada em apoiar a OSCE na resolução de conflitos e na prevenção de ameaças transnacionais”, como “o terrorismo e a violência extremista”, mas também fenómenos como “o tráfico de seres humanos”, a “violência contra as mulheres” e “as consequências humanas resultantes de conflitos”.

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