observador.ptobservador.pt - 8 dez 22:26

Tem uma ideia brilhante? Vai poder apresentá-la no Festival Idiota

Tem uma ideia brilhante? Vai poder apresentá-la no Festival Idiota

Vai acontecer esta terça-feira, dia 11, entre as 18 e as 20 horas, no Cinema São Jorge, em Lisboa. As contribuições estão abertas a toda a gente, ao vivo ou à distância. Fernando Alvim explica.

Está num jantar entre amigos e partilha uma ideia que o tem ocupado no seu horário de expediente, entre o email que não chega e a hora de saída. Daquelas coisas que surgem do nada, por uns momentos não compreende porque é que ainda não existe algo assim. Depois entra a dúvida, não sabe se tem ouro nas mãos – aliás, na cabeça – ou se é só uma ideia idiota: por exemplo, uma aplicação que só serve para enviar uma mensagem que diz “Yo”. Os seus amigos podem gozar consigo ou dar-lhe aquela palmadinha nas costas. Uma coisa certamente acontecerá, a aplicação para mensagens “Yo” morrerá na sua cabeça. E depois alguém um dia concretizará essa ideia. E, bolas, “a ideia era minha!”. Vai continuar a ir para o escritório, à espera de emails.

Não é para tornar estas ideias exequíveis que o Festival Idiota foi criado por Fernando Alvim. O Festival Idiota será uma plataforma para expor as ideias idiotas de quem as quiser partilhar. Como as enviar? Simples, para o email festivalidiota@gmail.com ou através de mensagem vídeo ou áudio pelo WhatsApp (960386272). Como vencer? Tendo a melhor ideia idiota. O vencedor ficará com as receitas da bilheteira. Onde e quando? No São Jorge, entre as 18 e as 20 horas de terça-feira, 11 de Dezembro. A entrada custa 3 euros. O evento será transmitido ao vivo pela Antena 3, convidando todos a participar.

Tem dúvidas? Apanhámos Fernando Alvim numa viagem de autocarro – porque há greve de comboios – para Aveiro. Esquecemos de lhe perguntar o que vai lá fazer, mas perguntámos tudo o que precisa de saber sobre o Festival Idiota.

O que é uma ideia idiota?
Uma ideia idiota é uma ideia que para as pessoas que a ouvem não é exequível. Não é possível. Mas é dessa impossibilidade que se chega à possibilidade das ideias.

Como nasceu a ideia para o Festival Idiota?
Eu sou conhecido por ter bastantes ideias idiotas, normalmente de uma forma muito espontânea, quando estou a fazer rádio ou televisão. E criou-se um movimento em torno das ideias que eu ia revelando de pessoas que queriam elas próprias dar as suas ideias. Eu incendiava a plataforma e depois as pessoas juntavam-se a mim com outras ideias. Daí a um festival de ideias, encontro de ideias, pareceu-me demasiado óbvio que eu tinha que o fazer.

Se é conhecido pelas suas ideias idiotas, porque é que só agora está a fazer o Festival Idiota?
Porque eu sou um idiota muito ocupado e só agora é que senti que poderia ter o tempo necessário para erguer um festival dessa dimensão.

Tornou-se impossível não o fazer?
Sim. Então vamos fazê-lo. Temos um júri constituído pelo Manuel João Vieira, Vítor Rua e pelo Hugo van der Ding. Temos também o público que pode ajudar à aclamação popular das ideias. Ganhará aquela que tiver mais votos por parte do júri, em primeiro lugar, embora o público presente também possa ajudar. O vencedor ganha toda a receita de bilheteira da gala.

Já receberam muitas ideias?
Sim, já recebi algumas ideias.

Como vai ser a apresentação das ideias?
Queremos que o festival tenha colaboração de todas as pessoas. Por isso acho que a grande maioria das ideias vai-nos chegar via WhatsApp, através do número que temos [960386272]. Aceitamos mensagens de vídeo, de áudio, o que interessa mesmo é a ideia em si. Agora se é presencial, por vídeo ou áudio, para nós é irrelevante.

As pessoas a assistir podem apresentar ideias?
Sim. E eu próprio vou apresentar ideias, embora não a concurso, como é óbvio. O próprio júri vai apresentar ideias, que também não estarão a concurso. Essas ideias que iremos relevar publicamente, são ideias que não estando em concurso, são reveladas ali pelo prazer da partilha mas para basicamente motivar as pessoas que estão a ouvir, a seguir a emissão, a darem as duas. É isso que nós queremos.

Acha que há pessoas que vão mandar ideias durante o evento?
Sim, tenho a certeza disso. Porque o evento vai ser transmitido em direto pela Antena 3. As pessoas que estiverem a ouvir vão sentir-se motivadas a dar a sua contribuição.

Essas ideias também serão válidas para o concurso?
Sim, todas as ideias serão válidas.

E se receber mais ideias do que aquelas que está à espera? Vai fazer uma segunda edição imediatamente a seguir?
Isso seria um sonho. Se eu recebesse mais ideias do que aquelas que eu poderia colocar naquelas duas horas. É possível que possa acontecer, atenção. Mas teremos de fazer alguma triagem, apresentaremos as que melhores. Acho que isto pode ser um grande acontecimento idiota no nosso país. Se isto resultar como nós pensamos que vai resultar, parece-me óbvio que isto vai ser uma iniciativa anual. Não se vai ficar pela primeira edição.

Dê um exemplo de uma ideia idiota.
Tenho várias. Pode ser construir umas escadas rolantes do Marquês de Pombal até às Amoreiras. É uma ideia idiota para a cidade, mas lá está, pode até ser exequível. Uma minha que é muito conhecida é haver um airbag para banhistas. Um dispositivo colocado nos calções, que em situações de apuro, com um simples toque, ele liberta uma boia salvadora, salvando-nos a vida. É o Airbag Alvim, quem escreve as ideias, fica com o nome delas. Airbag Alvim para os banhistas. Atenção, que pode haver algumas ideias até com alguma viabilidade. Inclusivamente, ligaram-nos do Orçamento Participativo de Lisboa e eles querem estar presentes lá, vão levar lá um responsável. Ainda não sei o que vai surgir, mas isto pode ser giro.

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