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Os 10 cisnes negros do Saxo Bank

Os 10 cisnes negros do Saxo Bank

O Saxo Bank já seleccionou os seus 10 cisnes negros de 2019. São previsões improváveis. Umas mais do que outras. Umas mais irónicas, outras mais catastróficas. Saiba quais são os cenários menos óbvios que o Saxo traçou para o próximo ano.
Apple compra Tesla "O que vai fazer a Apple com os seus 237 mil milhões de dólares acumulados em dinheiro e equivalentes", numa altura em que "a linha de produtos iPhone é incapaz de gerar mais crescimento?" Esta é a questão lançada por Peter Garnry, responsável pela área de estratégia de acções.

O analista prevê: "a Apple vai atrás da Tesla", aproveitando as necessidades da empresa liderada por Elon Musk e da própria Apple em se tornar relevante neste segmento, que nesta altura está confinada ao Apple CarPlay.

E o preço oferecido será de 520 dólares.

"A aquisição faz todo o sentido. É pequena o suficiente para ser feita apenas em dinheiro e só representa 12 meses do "cash flow" da Apple", diz o responsável. "A Apple tem a solidez financeira para cumprir os sonhos mais loucos de Elon Musk". Esta operação vai permitir à "Tesla construir várias ‘gigafactories’ e linhas de produção na Europa e China. Alemanha entra em recessão "As tarifas sobre os carros alemães e a falta de digitalização levam a Alemanha a entrar em recessão antes do final de 2019", diz Steen Jakobsen, economista-chefe e CIO do Saxo. Com Merkel fora da corrida da liderança, começa uma batalha pelo poder, "numa altura em que o país precisa de estabilidade e de uma transformação grande da economia mais poderosa da Europa."

"Vemos uma recessão a chegar até ao terceiro trimestre de 2019", realça Steen Jakobsen. "You’re fired", diz Trump a Powell

Na última reunião de 2018, Jerome Powell anuncia mais um aumento de juros. A economia americana e as bolsas dos EUA afundam no primeiro trimestre. Powell considera ser inapropriado implementar um programa à semelhança do realizado sob a liderança de Alan Greenspan, nos anos 90, de forma a impulsionar a economia. A Reserva Federal decide apenas reduzir ligeiramente o ritmo de aperto da política monetária e reduz uma vez os juros, antecipa John Hardy, estratega cambial.

Chegados ao Verão, com as bolsas a afundar e a economia a não dar sinais positivos, Donald Trump "despede Powell e nomeia o presidente da Fed de Minnesota, Neel Kashkari para o seu lugar", um dos grandes críticos do aperto da política monetária.

União Europeia lança um perdão de dívida

"Os níveis insustentáveis de dívida pública, a revolta populista, o aumento das taxas de juro do Banco central Europeu que reduzem a liquidez e o crescimento anémico reabre o debate na Europa sobre como responder à nova crise", antecipa Christopher Dembik, responsável pela área de análise macroeconómica.

Itália está no centro das atenções, com cerca de 300 mil milhões de euros de dívida a atingir a maturidade ao longo de 2019. O "contágio" está de volta à Europa, tendo começado agora num país com uma dimensão "too big too fail". A recessão chega à União Europeia. O BCE actua, implementando um novo programa de financiamento de longo prazo. Mas as medidas não são suficientes "e quando o contágio se espalha a França, os responsáveis políticos percebem que a UE enfrenta o abismo."

As soluções que estão à mão dos políticos não são muitas. E para evitarem que a Zona Euro se desintegre, Alemanha e outros países europeus decidem alargar o mandato de monetização de dívida do BCE, cobrindo todos os níveis de dívida acima de 50% do PIB. E será lançado um programa, em paralelo através de Eurobonds.

Corbyn chega a primeiro-ministro e libra atinge paridade As nove vidas de Theresa May esgotam-se e o acordo para o Brexit dentro de portas não é alcançado. Há eleições no Reino Unido e o partido Trabalhista ganha, estima Kay Van-Petersen, estratega de macro. Jeremy Corbyn torna-se o primeiro-ministro e promete um segundo referendo sobre o Brexit.

São implementadas políticas que incluem a renacionalização das "utilities" e da rede de comboios. O aumento dos gastos públicos elevam o défice para 5% do PIB. E a libra é arrastada para a paridade contra o dólar, num contexto de incerteza em relação ao Brexit e aos receios em torno do aumento do défice. GE colapsa e arrasta Netflix

A Gerenal Electric será a primeira a "perder a credibilidade" dos investidores, com a empresa a revelar uma deterioração na geração de "cash flow". O período conturbado culmina com o pedido de protecção de credores, o chamado Capitulo 11, que obriga a uma reestruturação e à venda de activos, "remetendo a outrora gloriosa gigante industrial ao caixote do lixo da história."

Os estilhaços atingem a Netflix, que vê os custos de financiamento disparar, também devido à dificuldade em mostrar um crescimento dos números. "Para piorar a situação, a entrada da Disney na indústria de streaming de vídeo" afecta ainda mais as perspectivas de crescimento da Netflix.

Clima gera pânico e "impõe" novo imposto nos transportes "O mundo sofre outro ano de clima adverso, com a Europa a viver um Verão extremamente quente, ligando os alarmes de pânico nas capitais de todo o mundo", prevê Steen Jakobsen, economista-chefe e CIO do Saxo. Neste contexto, a aviação e a indústria de transporte marítimo tornam-se alvo de um novo imposto, que dependerá das emissões de carbono. As acções de empresas expostas ao sector do turismo, companhias aéreas e transportes marítimos afundam. FMI e Banco Mundial abandonam PIB e focam-se na produtividade "O longo reinado do produto interno bruto como a medida para aferir o progresso económico termina em 2019", prevê Christopher Dembik, responsável pela área de análise macroeconómica.

Em vez do PIB, as duas instituições propõem que se passe a analisar a produtividade dos países. "Como o prémio Nobel Paul Krugman escreveu em 1994: ‘a produtividade não é tudo, mas no longo prazo, é quase tudo’." Explosão solar cria o caos e causam danos de 2 biliões de dólares

Uma das previsões para 2019 está relacionada com o Sol, com John Hardy, responsável pela estratégia cambial do Saxo a prever uma explosão de classe X, que cria um caos com danos económicos elevados. A tempestade solar atinge o hemisfério ocidental, afectando a maioria dos satélites e provocando o caos nos sectores dependentes do GPS, como os transportes, logística e infra-estruturas de energia eléctrica.

"A conta? Cerca de 2 biliões de dólares", realça o responsável.

Mercado imobiliário arrasta a Austrália para uma recessão Depois de anos a ver o mercado imobiliário a crescer, a Austrália entra num período conturbado, com os preços a afundarem e a provocarem perdas elevadas. "A Austrália entra em recessão pela primeira vez em 27 anos", estima Eleanor Creagh, estratega do mercado australiano.
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