sol.sapo.ptFeliciano Barreiras Duarte - 8 dez 23:07

China e Pu tao ya (Portugal) em chinês

China e Pu tao ya (Portugal) em chinês

«Pobre México, tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos». Porfírio Diaz

A visita do Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, a Portugal cumpriu os objetivos pretendidos. Para ambos os países. 

Portugal e a China nem sempre tiveram as melhores relações. Até há 40 anos, as desconfianças mútuas eram grandes. Mas daí para cá as relações diplomáticas, politicas, económicas e sociais intensificaram-se bastante. 

Recentemente, o ministro dos Negócios estrangeiros chinês disse que «Portugal é um bom amigo e parceiro de confiança na Europa». E o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal disse «que Portugal e a China são amigos e parceiros, embora não sejam aliados». 

Em 2019 cumprem-se vinte anos sobre a transferência negociada e pacífica da soberania do território de Macau para a China.

Desde essa data até hoje, muita coisa mudou. No mundo, na Ásia, na Europa, e também entre Portugal e a China.

A visita do Presidente chinês ao nosso país veio confirmar a relação forte entre os dois povos e os dois países. A China de hoje é uma China diferente da das duas últimas décadas. Desde logo, porque já é a segunda economia do mundo, com vaticínios cada vez mais fortes de que em breve será a primeira, ultrapassando os EUA. 

E é uma potência militar cada vez mais moderna, sendo admissível que nas próximas duas décadas se torne inevitável uma guerra entre ela e os EUA. 

Em 2013, já com o atual Presidente, a China lançou uma clara estratégia de afirmação política, social e económica no mundo, com a ‘Belt and Road Iniciative’ (uma nova rota da seda), um projeto de conectividade para ligar a Ásia (sobretudo a sua parte central) ao continente europeu, sendo considerado de particular importância o pilar marítimo. 
Esta iniciativa tem provocado divisões entre vários países europeus. Com Portugal a assumir-se como um país que, apesar de não aderir a este projeto, será ‘cooperante’. Procurando potenciar o porto de Sines, enquanto porto de águas profundas. E num quadro futuro do aumento da sua importância estratégica, com a abertura do segundo canal do Panamá.

Portugal e os portugueses têm beneficiado bastante do investimento chinês no nosso país, sobretudo durante os anos recentes, no período da troika. Os números são claros quanto a isso. Se em 2010 esse investimento era muito residual, agora atingiu um total de quase dez mil milhões de euros. 

Tudo indica que, ao nível da aposta da China em Portugal, iremos entrar numa fase diferente – tendo por base os muitos acordos celebrados durante esta visita e as proclamações do Governo português e do Presidente Chinês. O investimento direto chinês será feito em novas áreas, como a construção de satélites.

A par de uma maior abertura do vasto mercado chinês para as exportações dos produtos das empresas portuguesas. E do reforço da cooperação e da colaboração em áreas como a cultura e a difusão e aprendizagem da língua de Camões no território chinês. 

Começando pela comemoração dos vinte anos de transferência da soberania de Macau para a China.

Conveniente 

Gulbenkian: o Portugal dos nossos netos

É já na próxima terça-feira, dia 11, que a Associação Cidadania Social organiza na Fundação Calouste Gulbenkian a conferência ‘O Portugal dos nossos netos: tendências demográficas e economia do século XXI. Fazer diferente: o que podemos fazer?’. Uma iniciativa que traz consigo uma conveniente reflexão sobre um tema da atualidade.

Inconveniente

Nova Presidência no México

O México tem um novo Presidente, Andrés Manuel Lopez Obrador (AMLO), político mexicano veteraníssimo. Iniciou funções num quadro político regional em que a maioria dos países são governados à direita e ao centro. Considerado por vários setores como um político de extrema-esquerda, é de acompanhar o que irá fazer num país com especiais responsabilidades numa região tão em ebulição como a América do Sul.
 

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