rr.sapo.ptOpinião de Francisco Sarsfield Cabral - 7 dez 00:00

​O recuo de Macron

​O recuo de Macron

A França mergulhou numa grave crise social e política, que ninguém sabe como e quando irá acabar. Macron perdeu credibilidade.
Macron foi eleito Presidente da República em maio de 2017. Dois meses depois as sondagens indicavam que ele tinha a confiança de 64% dos franceses. Esta semana o nível da confiança em Macron baixou para 21%. Ex-ministro da Economia, ex-socialista, Macron apresentou-se como um independente, europeísta e centrista, procurando distinguir-se da classe política tradicional. O seu movimento, que só tarde passou a partido, conquistou uma larga maioria nas eleições legislativas que se seguiram à sua entrada no Eliseu.

O jovem presidente conseguiu realizar algumas reformas, nomeadamente na área laboral. Mas suscitou uma enorme reação de descontentamento e revolta na maioria dos franceses.

As ações de rua do movimento informal dos “coletes amarelos”, que descambaram para a violência, levaram o seu governo a recuar – algo habitual em presidentes franceses que antecederam Macron, mas que muita gente – incluindo eu próprio – julgava que ele jamais faria. Ou seja, Macron perdeu credibilidade. E mergulhou a França numa grave crise social e política, que ninguém sabe como e quando irá acabar.

Toda a gente protesta e reivindica. Os franceses parecem querer mais benefícios do Estado social, mas simultaneamente não aceitam pagar mais para esse Estado… Por outras palavras, a França arrisca-se a tornar-se ingovernável.

Considerado arrogante e pouco dado a ouvir os outros, Macron afunda-se por causa do mesmo sentimento de desilusão com os políticos habituais que o levou ao poder. E manifestou alguns “tiques” gaulistas – sem as extraordinárias credenciais do general de Gaulle.

É uma situação penosa para a França e para a Europa comunitária, que Macron defendia com convicção e energia.

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