sol.sapo.ptsol.sapo.pt - 10 nov 11:53

Tecnologia Startups portuguesas, com certeza

Tecnologia Startups portuguesas, com certeza

Além dos grandes nomes e das importantes conferências focadas no futuro da tecnologia, a maior feira tecnológica do mundo foi também a montra ideal para pequenos empresários portugueses mostrarem os seus projetos e convencerem investidores de todo o mundo

Se, por um lado, o Parque das Nações nunca acolheu tantos estrangeiros, por outro foram muitas as startups portuguesas que aproveitaram a maior feira tecnológica do mundo para apresentar os seus projetos. As ‘ruas’ da pequena cidade inovadora instalada dentro da FIL foram durante quatro dias a montra perfeita para pequenas e grandes empresas conseguirem ganhar a atenção de investidores nacionais e estrangeiros. 

Foi o que aconteceu com a PixyApp, «uma startup especializada em fazer apps locais» com conteúdos noticiosos e programação e eventos. E está a um passo de ver o seu nome passar além fronteiras. 

Gustavo Cardoso, representante desta ideia inovadora, contou ao B,i. que «as câmaras de pequenas cidades finlandesas estão a tentar arranjar forma de passar as notícias para todas as pessoas» e já têm inclusivamente o contacto de algumas desses municípios para «tentar arrancar com esta app lá». 

Isto, porque, segundo contou, «na Finlândia, 95% são finlandeses e só falam finlandês, ou seja, as pessoas que estão neste momento a emigrar não conseguem ver as notícias em nenhuma outra língua». A empresa que nasceu em fevereiro tem como objetivo principal traduzir as notícias locais para qualquer língua e fazê-las chegar mais longe porque «muitas vezes as fontes locais de notícias não conseguem transmitir às pessoas que vivem ao pé o que está a acontecer porque não passam no Facebook nem no Google».

Na Web Summit, a empresa de Gustavo Cardoso apresentou apenas uma demo para que todos pudessem «ver e experimentar», a Algarve App, uma aplicação que já pode ser descarregada para qualquer telemóvel, mas que só tem lançamento marcado para o próximo ano. O balanço que a empresa faz da feira tecnológica é bastante positivo. «Já nos abordaram de Macau, Finlândia e Marrocos, para tentar ver se isto é aplicável nas cidades». 

Também no mundo das notícias, a Dimmersions pretende mudar a forma como estas se apresentam. 

O produto é da startup Lim9, empresa com já dez anos e que «começou por ser uma startup de entretenimento para a noite e uma agência digital durante o dia», explicou ao B,i. Kannon, representante da Dimmersions. 

“Estamos na Web Summit a apresentar o nosso primeiro produto de startup, que são as Dimmersions, uma plataforma que, com recurso a uns óculos, transforma os media tradicional em conteúdo 360 imersivo automaticamente”, contou Kannon.

Com apenas três anos, a Dimmersions tem já uma parceria com o público em que, com três notícias, “fizeram do normal o espetacular”, para apresentar na feira em Lisboa. Agora, a startup quer dar o salto com este produto inovador e «sair de Portugal». 

A meta estabelecida para a Web Summit foi totalmente cumprida até porque o objetivo era «fazer muitos contactos e não tanto de arranjar o investimento flash» e o feedback parece ter sido favorável tanto por parte das pessoas como de investidores. «As pessoas dizem que é uma coisa que há necessidade no mercado, não é só do nicho que anda à procura de inovação ou dos media» e «já conseguimos alguns contactos e já tivemos alguns investidores interessados». 

No futuro querem fazer outras parcerias nacionais e internacionais e afirmam inclusivamente que a Dimmersions pode ser «uma pontinha de esperança que pode vir a dar uma nova vida» à imprensa escrita. 

Já na inCloud Safemed o foco são as empresas. A startup pertence à ABACO Consultores e o propósito passa por prevenir acidentes laborais.

Através de pequenos sensores no ambiente laboral é possível ler os níveis de gases, ruído e luminância de uma sala e, através de um dispositivo móvel, interagir com os funcionários. «Este projeto permite acrescentar os dados do trabalhador em tempo real», explica José Lourenço, developer na ABACO.

O projeto está dividido em três componentes, os sensores IOT  que identificam o estado da divisão, os wearables (como smartwatch) onde o trabalhador recebe as notificações e pode acompanhar os níveis detetados pelos sensores, e os beacons, aparelhos de localização que permitem identificar os funcionários que entram na divisão e relacionar os dados.

«Uma empresa que trabalha com químicos quer saber se os trabalhadores estão expostos a elementos tóxicos», começa por explicar José Lourenço ao B,i, e «quem controla o sistema pode monitorizar, por exemplo, o batimento cardíaco de um trabalhado e notificar os trabalhadores à volta para que vão ver o que se passa.».

O projeto tem ainda a vantagem de agregar informações para a medicina do trabalho e evitar gastos extra às empresas. 

No entanto, o developer da ABACO, confessou que «as empresas portuguesas ainda não estão muito viradas para a prevenção».  

*Com Filipa Traqueia e Maria Fernandes

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