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Bombeiros de Coimbrões com apoios suspensos e verbas averiguadas

Bombeiros de Coimbrões com apoios suspensos e verbas averiguadas

Câmara de Gaia está preocupada com a situação em Coimbrões. Bombeiros apontam falhas e já houve demissões. Direção nega acusações.

O presidente da Câmara de Gaia determinou uma inspeção às verbas entregues pela Autarquia aos Bombeiros de Coimbrões e a suspensão dos apoios municipais à Associação Humanitária enquanto se realiza a averiguação. "Temos vindo a acompanhar a degradação do ambiente nos Bombeiros de Coimbrões desde que entrou a atual presidência da Direção", afirmou ao JN Eduardo Vítor Rodrigues.

O ambiente na corporação é de tensão. Em causa estão queixas de bombeiros quanto à falta de fardamento, ao atraso no início das obras de requalificação do quartel e à falta de operacionais. Pelo menos quatro elementos do comando já abandonaram os cargos.

"O senhor Coimbra [presidente da Associação Humanitária] achava que era comandante e presidente e dava ordens diretas a bombeiros. Foi esse o grande motivo da minha saída", contou José Luís Silva, comandante-adjunto que se demitiu. Segundo disse, há quatro anos, antes da tomada de posse da atual Direção, existiam cerca de 120 bombeiros. Atualmente, restam 97 (voluntários e assalariados).

"Já me chamaram para fazer noite porque só havia uma pessoa no quartel. Houve fogo e emergências nessa noite", diz Miguel Gonçalves, voluntário há 20 meses e um dos contestatários.

Falta equipamento

À falta de homens, somam-se as queixas da falta de meios. José Manuel Peito está há 22 anos na corporação. Em material, já gastou 150 euros. "Comprei o arnês e o capacete. A associação diz que não pode comprar porque é caro e tem outras prioridades", criticou.

Os bombeiros temem que, caso a Direção se mantenha, mais elementos entreguem o capacete. "Estamos a tentar segurar o barco. É o companheirismo que nos tem feito aguentar. Mas está a ser de mais. É muito triste dizerem que não há verbas para melhorar a corporação", lamentou Nuno Oliveira, outro dos críticos.

Questionado pelo JN, António Coimbra negou qualquer intromissão no comando e garantiu que o socorro não está em causa. Acrescentou que herdou os problemas e as dívidas da anterior Direção e que, daqui a um mês, prevê o reforço da equipa. "Nenhuma decisão é tomada antes de ser discutida na reunião de Direção. Em julho, deixei de ir à parte operacional e o caos, na perspetiva disciplinar, instalou-se", garantiu.

Orçamento não chega

À Direção anterior foram doados 600 mil euros por uma sócia. António Coimbra diz que a quantia terá sido usada de imediato para pagar dívidas no valor de 100 mil euros. Ainda de acordo com o atual presidente, o que resta é utilizado para "pagar vencimentos" quando o dinheiro ao final do mês não chega. O orçamento anual, de quase um milhão de euros, e o apoio camarário no valor de 50 mil euros "são insuficientes", afirmou.

Para determinar como é gasto o apoio municipal, Eduardo Vítor Rodrigues vai solicitar à Direção da corporação "documentos detalhados" do uso das verbas que deveriam ser para contratar pessoal e comprar material.

A degradação do quartel é outra preocupação. Há cerca de um ano, foi aberto um concurso público para a empreitada, tendo concorrido duas empresas. A obra foi entregue à Teisil-Empresa de Construções, mas não avançou. Segundo António Coimbra, falta assinar um protocolo com a Câmara para o financiamento dos trabalhos. "A assinatura estava marcada para setembro. Se a Câmara recuou, não temos dinheiro para os compromissos. Questionamos a Câmara, mas ainda não fomos recebidos", disse.

Eduardo Vítor Rodrigues disse ter aprovado "uma primeira tranche de 60 mil euros, não contratualizada porque o senhor presidente da Direção a considerou insuficiente". "A Câmara não recuou. O ambiente social no quartel terá menos que ver com obras e mais que ver com arrogância e desorientação da gestão", sublinhou.

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