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Palavra de fundador: uma relação forte, a segurança, e um não casamos

Palavra de fundador: uma relação forte, a segurança, e um não casamos

As intervenções dos ‘pais’ do Bloco de Esquerda podiam dar um romance: sobre o futuro do partido que ajudaram a formar e que, confiam, pode ir mais longe. Para um casamento é preciso que a noiva não tenha um vestido com as medidas de Bruxelas

Francisco Louçã, Fernando Rosas e Luis Fazenda, os três fundadores do Bloco de Esquerda, insistem que já passaram o testemunho a uma nova geração de dirigentes. Mas, de cada vez que sobem ao palco, a Convenção para, escuta e olha.

Fazem parte da História dos 19 anos que leva o partido. O Bloco gosta de saber o que pensam.

Eles, por seu lado, gostam do que veem: apreciam os bons resultados da direção de Catarina Martins, concordam com o acordo da geringonça e, claro, gostaram de ver o partido unido e com o melhor resultado eleitoral de sempre.

Francisco Louçã foi o mais entusiástico. Num inédito gesto, falou das netas para desejar aos seus herdeiros políticos - da direção do Bloco - um sucesso “até ao infinito e mais além”. O ‘sound bite’ funcionou, mas o que o ex-líder quis dizer estava longe de ser uma história para crianças. A luta contra os populismos é uma batalha difícil. E a arma a usar contra esse fenómeno em expansão é formar uma Esquerda que dê “segurança”. A todos os níveis: “Segurança contra o imenso e insidioso partido da corrupção”. Mas também “segurança nos compromissos assumidos”. Ou segurança para as pessoas na saúde e na educação.

As relações políticas são a chave para entender o futuro do Bloco. E o que está disposto a fazer com o PS está nas entrelinhas dos discursos dos fundadores. Mas não mais que isso. Fernando Rosas não mencionou diretamente os socialistas, mas foi o único a falar na possibilidade de “eventualmente no Governo” o Bloco poder ir mais longe. Mas isso, só se “a relação de forças for suficientemente forte” depois de apurados os resultados das próximas legislativas. Para rematar, lançou a velha máxima do maoísmo para motivar o partido a chegar ao próximo patamar "eventual" da governação: "Ousar lutar, ousar vencer: eis tudo".

Ousado ou não, casamento até podia haver, mas Fazenda não está disponível para o apadrinhar. Há demasiada gente nessa união, como diria a princesa Diana. E, para o Bloco, “não faz sentido casar com o Eurogrupo”, diz - lembrando a frase de António Costa de que só dá para serem amigos. Para casar com o PS, tudo depende de a noiva não ir muito apertado num vestido à medida de Bruxelas.

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