www.dinheirovivo.ptdinheirovivo.pt - 10 nov 19:52

Governo britânico acusado de financiar drones autónomos assassinos

Governo britânico acusado de financiar drones autónomos assassinos

Ministério da Defesa do Reino Unido estará a financiar tecnologias que permitem armas militares sem controlo de humanos, segundo associação local.

O Ministério da Defesa do Reino Unido é acusado de estar a financiar o desenvolvimento de sistemas militares autónomos, entre os quais estão os drones assassinos. A denúncia foi feita este sábado pela organização não-governamental Drone Wars UK, que pretende acabar com o uso de drones armados. A tutela nega as acusações, de acordo com declarações citadas pelo jornal The Guardian.

“Embora em declarações públicas o Reino Unido diga que não tem a intenção de desenvolver sistemas de armamento autónomo letais, há provas físicas de que o Ministério da Defesa, empreiteiros militares e universidades estão ativamente ligados na pesquisa e desenvolvimento de tecnologia estrutural para ser utilizada em fins militares”, refere Peter Burt, o autor do relatório Off The Leash: The Development od Autonomous Military Drones in the UK.

O documento dá mesmo conta de que o Ministério da Defesa está a experimentar um “sistema de controlo cognitivo preditivo” em operações num centro de inteligência da Força Aérea britânica. A tecnologia reúne grandes quantidades de dados complexos, para lá do entendimento dos analistas, e usa redes neurais de aprendizagem para fazer previsões sobre eventos futuros. Este sistema poderá ter “relevância operacional direta” para as forças armadas.

O fornecimento de dados errados ou a interrupção da ligação ao controlo humano de um futuro sistema de armamento podem bloquear o seu uso de força letal, teme a Drone Wars UK.

“Já assistimos ao desenvolvimento de drones no Reino Unido com grandes capacidades autónomas; o desenvolvimento de verdadeiros drones autónomos letais torna-se assim uma possibilidade real”, acusa o mesmo autor.

O Reino Unido já dispõe do Taranis, um drone experimental supersónico que não é detetável nos radares e que pode “manter um adversário em risco contínuo de ataque, entrar em território hostil, encontrar um alvo, avaliar o efeito alcançado e fornecer dados aos comandantes”. Este equipamento é desenvolvido pela empresa de tecnologia aeroespacial BAE e é descrito pelo Ministério da Defesa como uma aeronave “totalmente autónoma”.

Tecnologia inevitável

O Ministério da Defesa, apesar de negar estas acusações, considera inevitável o desenvolvimento de sistemas de armamento autónomos. Esta tecnologia “leva a nossa inteligência, vigilância e capacidade de reconhecimento a dar um passo à frente” graças à utilização de inteligência artificial, refere o secretário de Estado da Defesa britânico, Gabin Williamson.

A tutela refere que as aeronaves autónomas, “poderão ter a capacidade de atacar alvos móveis, independentemente do local onde se encontrarem, com a proporcionalidade e discriminação apropriadas, mas provavelmente nunca antes de 2030”.

Ainda assim, um porta-voz do Ministério da Defesa diz que “não há qualquer intenção de desenvolver sistemas de armamento que operem totalmente sem qualquer intervenção dos humanos. As nossas armas estarão sempre depois de controlo dos humanos como garantia absoluta de supervisão autoridade e responsabilidade”.

Segundo os investigadores da universidade do Arizona, nos Estados Unidos, estão contabilizados 273 sistemas de armamento que têm pelo menos algumas funções autónomas em todo o mundo. 19 destes sistemas são descritos como veículos aéreos não tripulados.

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