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A selva do estacionamento no Porto e em Lisboa

A selva do estacionamento no Porto e em Lisboa

Com o alargamento das zonas pagas, estacionar nas grandes cidades é cada vez mais um pesadelo para os automobilistas, tal é a falta de lugares disponíveis. Em Lisboa e Porto não falta quem recorra a passeios, ou abandone a viatura em segunda fila, deixando uma imagem caótica da mobilidade urbana.

Em cima do passeio, num descampado em plena cidade, com os pneus travados por pedras, ou em segunda fila para "ir ao banco". Estas são cenas do quotidiano nas duas maiores cidades portuguesas, devido à falta de estacionamento gratuito e à preferência assumida dos cidadãos pelo automóvel, que a justificam com a falta de eficácia dos transportes públicos. Em Lisboa, a Câmara promete mais parques dissuasores nas entradas da cidade e vai alargando até à periferia as zonas pagas, enquanto no Porto, só de janeiro a setembro deste ano já houve mais de 2200 carros rebocados por estacionarem em lugares reservados a cidadãos com deficiência. O JN Urbano foi conhecer os cenários do caos e concluiu que o fenómeno começa também a sentir-se em cidades de dimensão média.

No Porto, peões e condutores sabem de cor quais as artérias mais complicadas no que respeita aos constrangimentos causados pelo estacionamento indevido. São elas a Rua de Camões, a Rua de Santa Catarina (no troço entre Gonçalo Cristóvão e o Marquês), a Rua da Constituição, a Rua de Latino Coelho, a Rua de Santos Pousada, a Rua da Escola Normal, a Rua da Boavista e a Rua 5 de Outubro.Locais onde, principalmente ao início da manhã e ao final da tarde, se gera, muitas vezes, o caos. Em algumas destas zonas, já foram, inclusive, colocados pilaretes para impedir a paragem dos carros nos locais onde esta não é autorizada. Uma medida de prevenção que é bem visível, por exemplo, nas avenidas Brasil e Montevideu, na Foz.

Contactada pelo JN Urbano, a Câmara do Porto confirmou que "existem queixas e pedidos de intervenção provocados por comportamentos rodoviários desviantes em matéria de estacionamento", que se traduzem, por exemplo, em "constrangimentos à circulação pedonal". E adiantou que está em prática o projeto CEI - Combate ao Estacionamento Ilegal, que pretende combater "os fenómenos localizados de estacionamento abusivo".

Contudo, a Autarquia salientou que "não é possível" falar "de um aumento do estacionamento abusivo", tendo em conta o "aumento do tráfego que se tem vindo a registar".

Cristina Pimentel, vereadora dos Transportes, Fiscalização e Proteção Civil da Câmara do Porto, garante que a principal forma de combate ao estacionamento indevido "é o civismo". No Porto, a infração mais verificada diz respeito ao estacionamento no espaço destinado aos peões, mas, só "entre janeiro e setembro deste ano", foram rebocadas 2284 viaturas nos lugares destinados exclusivamente a cidadãos com deficiência.

Crescem multas na capital

Em Lisboa, o estacionamento em segunda fila é, a par do parqueamento ilegal em lugares para residentes, uma das raras infrações mais castigadas este ano pelos fiscais da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) face a 2017.

Entre 1 de janeiro e 19 de setembro deste ano, foram passadas mais 949 multas por esse motivo do que em igual período de 2017, quando foram registadas, segundo dados disponibilizados ao JN Urbano pela EMEL, 2657 contraordenações. Um aumento que, admite o vereador da Mobilidade e Segurança na Câmara Municipal de Lisboa, está associado a uma maior atenção dos funcionários da empresa aos veículos parados em segunda fila. "Em particular nas horas de ponta da manhã, tem havido um muito grande reforço da fiscalização", frisa Miguel Gaspar, precisando que a ação, inserida na campanha de sensibilização "2.ª fila não é opção", lançada já este ano, abrange também a permanência em lugares destinados a cargas e descargas.

A infração é a terceira mais penalizada nos últimos dois anos na capital e entra no grupo das prioridade da EMEL, tal como o parqueamento em cima do passeio, junto a passadeiras e em segunda fila. No total, representaram, entre 1 de janeiro e 19 de setembro deste ano, quase 20% das 239 278 multas passadas nesse período.

"A nossa prioridade são os residentes", sublinha Miguel Gaspar, antes de lembrar que, muitas vezes, são os próprios moradores que pedem que o estacionamento na sua zona de residência passe a ser tarifado. O objetivo é garantirem que, à medida que a área paga é alargada, os lugares onde podem deixar o seu carro não é ocupado por quem, não habitando em Lisboa, procura locais para deixar o seu veículo sem pagar. Na capital, o dístico de residente custa 12 euros anuais.

Uma solução que acaba por ser prejudicial para quem reside, por exemplo, em Amadora Sintra e Cascais, onde ao todo vivem quase 600 mil pessoas. "Há parques dissuasores, [à entrada da cidade], com lugares vagos", diz o autarca.

2284 reboques no Porto entre janeiro e setembro

Só nos lugares destinados a cidadãos com deficiência, foram removidos este ano (até setembro) 2284 carros.

239 mil multas em Lisboa em 2018 até 19 de setembro

O valor é inferior ao período homólogo do ano passado, quando foram registadas 270 931 contraordenações.

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