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Estado paga 52 mil euros a pai impedido de ver filhas durante 8 anos

Estado paga 52 mil euros a pai impedido de ver filhas durante 8 anos

Foi falsamente acusado de maltratar a mulher e abusar sexualmente de uma das filhas em junho de 2007. Agora, na reta final de 2018, a Justiça espanhola reconhece que falhou na sua extrema lentidão. Privou este homem de ver as filhas durante quase oito anos. O Estado foi condenado a pagar 52 mil euros de indemnização. Mas há muito que as duas filhas o rejeitaram como pai.

Esta história começa a 16 de junho de 2007, dia em que uma mulher apresenta uma queixa contra o marido por maus-tratos e abuso sexual de uma das duas filhas menores. Viviam então um violento processo de divórcio, conta o jornal espanhol "El País". As meninas tinham três e seis anos de idade.

Na sequência da denúncia, o pai foi proibido de aproximar-se das filhas. Só as voltaria a ver a 7 de abril de 2015. Elas com 11 e 13 anos. Ele, um estranho para elas. Seguiram-se mais cinco ou seis encontros, mas a rejeição das meninas em relação ao pai era tamanha que as psicólogas que acompanhavam o caso consideraram que o melhor seria acabar com as visitas.

Segundo a mais recente sentença, "os danos e prejuízos causados dificilmente se podem avaliar". Nada justifica o atraso e as consequências que isso trouxe para o pai, reconhece o acórdão.

Agora, também os avós paternos das meninas, que entraram com uma ação em tribunal, aguardam a sentença. Tudo indica que terão direito a receber dez mil euros cada um por cada ano em que não viram as netas.

A cronologia de um falhanço

- 16 de junho de 2007: Mulher apresenta queixa contra marido e tribunal decreta ordem de afastamento das filhas.

- 28 de junho de 2007: Juiz pede exame pericial à menina alegadamente abusada pelo pai.

- 14 de dezembro de 2007: Sai o resultado do exame pericial.

- Maio de 2008: A acusação pede novo exame.

- 10 de julho de 2009: Libertado resultado do segundo exame.

- Tribunal que recebeu a denúncia não pegou no caso durante dois anos e meio.

- Acabada a fase de instrução, um novo juiz só deu seguimento ao processo passados dez meses.

- 10 de dezembro de 2010: Processo entra no tribunal de Tarragona.

- 4 e 5 de dezembro de 2013: Realização do julgamento. Pai é considerado inocente.

- 7 de abril de de 2015: Fim do processo de divórcio e levantamento da proibição de ver as filhas.

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