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Trump e a estranha forma de celebrar uma vitória

Trump e a estranha forma de celebrar uma vitória

Donald Trump teve uma meia vitória, ou meia derrota, nas intercalares dos EUA. Com soberba, classificou as eleições como um tremendo sucesso. A seguir pediu a demissão do procurador-geral, Jeff Sessions, e impediu um jornalista da CNN de voltar a entrar na Casa Branca. Que estranha forma de comemorar um vitória. Para José Silvano e Rui Rio, um germanófilo assumido, uma frase do filósofo alemão Friedrich Nietzsche: É verdade que se mente com a boca; mas a careta que se faz ao mesmo tempo diz, apesar de tudo, a verdade. Em semana de Web Summit, um agradecimento a Christopher Wylie.
Provas vencidas - Exame Christopher Wylie
Os namorados

O ex-director de investigação que denunciou o escândalo da Cambridge Analtyca, para a qual trabalhou, foi uma das estrelas do Web Summit. Não apenas por ter revelado o uso abusivo de dados de 87 milhões de utilizadores do Facebook para ajudar a eleger Trump, mas sobretudo pelos alertas que deixou. "Estamos a deixar-nos colonizar pelas empresas de tecnologia", em particular pelas redes sociais, sentenciou. O aviso deve ser muito levado a sério. O "big brother" de Orwell metamorfoseou-se e deixou de ser apenas reactivo. É capaz de manipular e influenciar decisões. É preciso agir com regulação antes que seja tarde demais.  Decepção - Aviso Rui Rio
A lua

Em Helsínquia, onde participou no congresso do Partido Popular Europeu, o presidente do PSD resolveu responder em alemão aos jornalistas portugueses que o questionaram sobre o caso José Silvano. "Ich weiss nicht was sie sagen", respondeu, o que significa "não sei do que está a falar". Rui Rio, que ainda recentemente falou da necessidade de um "banho de ética", optou por uma atitude arrogante numa matéria em que nitidamente existiu falta de higiene ética. Além disso, este despropósito parece confirmar a ideia de que, confrontado com o abismo político que tem sido a sua incapacidade enquanto líder da oposição, Rio resolveu seguir em frente.  Prudência - Incapacidade Donald Trump
O eremita

Foi eleito democraticamente, mas tem tiques de autoritarismo que não devem ser vistos de forma complacente. O seu comportamento baseia-se numa premissa primária, a de que quem não é por ele é contra ele. E foi com base nela que a Casa Branca decidiu suspender a creditação de um jornalista da CNN, Jim Acosta, que lhe viu ser negada a pretensão de fazer uma pergunta, acusando-o de ter pousado a mão numa jovem "que estava apenas a tentar fazer o seu trabalho", versão desmentida pelo próprio. Trump apenas respeita um órgão de comunicação social, a Fox News, precisamente aquele que o bajula. Isso é perigoso.  Distúrbio - Fuga José Silvano
A carruagem

O caso do deputado que faltou a duas sessões parlamentares e ainda assim viu o nome registado no sistema de presenças tem dois responsáveis: o próprio e quem se terá prontificado a usar a "password" de José Silvano para materializar o logro. Estes são os factos e de nada serve ao secretário-geral do PSD comunicar, a posteriori, que pediu ao presidente da Assembleia da República que lhe marcasse as respectivas faltas. Prescindindo da tentação de fazer juízos de valores, sobra a certeza de que este caso ajuda a descredibilizar os políticos, e, neste caso concreto, fragiliza o PSD e o seu presidente, Rui Rio. 
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