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Como Trump mexeu nas bolsas em dez episódios

Como Trump mexeu nas bolsas em dez episódios

Trump atacou muitas empresas e os seus líderes ao longo destes dois últimos anos desde que ganhou as eleições dos Estados Unidos a 8 de Novembro de 2016. Veja 10 dos mais marcantes.
Gigantes da aeronáutica e aeroespaciais em foco Em Dezembro de 2016, um mês depois de ser eleito, Trump já estava a usar a sua rede social de eleição, o Twitter, para atacar gigantes da aeronáutica e aeroespaciais. Primeiro advertiu a Boeing de que os custos de construção do novo Air Force One (avião presidencial) estavam a ficar fora de controlo. Depois foi a vez da Lockheed Martin, com quem o Pentágono tinha um contrato para a aquisição de 90 aviões F-35, que viu Trump apontar-lhe o dedo também por causa dos custos. Perderam milhões em bolsa e acederam a rever os preços. Depois da alfinetada, os elogios ao sector automóvel Na campanha eleitoral, Trump criticou as fabricantes automóveis norte-americanas por transferirem postos de trabalho para fora do país, instando-as a investirem dentro de portas. A Ford foi alvo de críticas por planear construir uma nova fábrica no México, plano esse que abandonou em Janeiro de 2017. O sucessor de Obama ameaçou outras empresas do sector, como a General Motors, dizendo que ou investiam mais nos EUA ou pagariam mais impostos. A GM levou a ameaça a sério e anunciou um maior investimento no país, bem como a Fiat-Chrysler, o que muito agradou a Trump. Automóveis estrangeiros na berlinda Depois de ter atacado as fabricantes automóveis do país por produzirem fora de portas, Trump virou-se para as empresas estrangeiras do sector, criticando-as por não fabricarem em solo americano. O maior alvo foi a Alemanha, ameaçando impor uma taxa de 35% à importação de veículos alemães. A BMW, Volkswagen e Daimler, que tinham investido em fábricas no México para reduzirem custos e estarem mais perto dos EUA, caíram fortemente em bolsa. A japonesa Toyota também foi alvo de ataques e ainda hoje o presidente mantém um foco cerrado neste sector. Farmacêuticas não escapam ao apontar de dedo Ainda Janeiro de 2017 não ia a meio e Donald Trump já tinha outro alvo: as empresas farmacêuticas. O republicano acusou-as de serem "um desastre" por venderem nos EUA medicamentos fabricados no estrangeiro e "subirem os preços sem qualquer razão". Atacou empresas como a Mylan, Pfizer e Bristol-Myers, que afundaram em bolsa. Em meados deste ano voltou ao ataque, mas as cotações resistiram em bolsa, já que o presidente não anunciou (pelo menos ainda) medidas da sua Administração destinadas a travar este inflacionar dos preços. O México de novo… agora com mais muro Após criticar empresas de variados sectores por deslocalizarem produção para o México, Trump anunciou, a 25 de Janeiro de 2017 (cinco dias depois de tomar posse como chefe da Casa Branca), a construção de um muro ao longo de toda a fronteira entre os dois países. E mais: que seria o México a pagar a obra. O homólogo Enrique Peña Nieto disse que rejeitava os decretos do recém-empossado presidente dos EUA. O braço-de-ferro mantém-se, mas não impediu uma renegociação do NAFTA com o México (e com o Canadá). O FBI e as interferências. Da Rússia com amor? Em Maio de 2017, as bolsas tremeram devido a sucessivos escândalos em que Trump se viu envolvido. Foi avançado que o presidente teria divulgado informação confidencial sobre o Daesh às autoridades russas e que estaria a travar uma investigação sobre as ligações da sua Administração a Moscovo, tendo demitido o director do FBI, James Comey – que investigava se tinha havido ingerência para influenciar os resultados das eleições. Isto já depois de o conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn, se ter demitido devido aos contactos com russos sobre as sanções ao país, devido à Crimeia. A prometida reforma fiscal "no sapatinho" A tão prometida reforma fiscal norte-americana entrou em vigor em Dezembro de 2017, com o "enorme" corte de impostos que Trump quis oferecer em vésperas de Natal. A taxa de imposto sobre os lucros (equivalente ao nosso IRC) foi reduzida de 35% para 21% e muitas empresas também aproveitaram para repatriarem os lucros obtidos fora dos EUA mediante o pagamento de um imposto único. E entretanto já começaram a ver os frutos dessa decisão. Esta reforma foi uma das grandes impulsionadoras da bolsa nestes dois anos de Trump. As tarifas e as guerras comerciais A 22 Março de 2018, o presidente dos EUA decidiu impor tarifas alfandegárias no valor de 60 mil milhões de dólares sobre produtos da China. Esta reagiu com uma retaliação. Os ataques e contra-ataques têm-se sucedido, provocando autênticos abalos nas bolsas, e espera-se para finais deste mês que Washington e Pequim possam finalmente chegar a um acordo comercial e acabar com estas fricções. As tarifas no aço e no alumínio também têm sido uma das armas não só contra a China mas também contra a União Europeia e outros países que considera que prejudicam comercialmente os EUA. Os ataques à Amazon… e não só Ainda em Março de 2018, Trump atacou várias vezes a Amazon, prolongando em Abril as suas ameaças. O presidente acusou a retalhista online liderada por Jeff Bezos de "monopolista", tendo ainda incentivado os serviços postais norte-americanos a duplicarem as tarifas sobre as encomendas da Amazon. Bezos é também dono do jornal The Washington Post, que Trump acusa constantemente de divulgar notícias falsas (as tão faladas "fake news"). No sector empresarial, muitas mais companhias estiveram sob os holofotes de Trump, pela negativa, como a Harley-Davidson, os media em geral e até a NFL. A crise turca e as sanções contra o Irão Em Agosto deste ano, uma crise diplomática entre os EUA e a Turquia levou Trump a decretar a duplicação das tarifas alfandegárias sobre o alumínio e aço turcos, aumentando a pressão sobre Ancara e a sua fragilizada economia. A lira turca afundou e a crise vivida por esta moeda acabou por contagiar as restantes divisas das economias emergentes. Foi um mês de turbulência política e económica que se estendeu aos mercados de forma acentuada. Por esta altura já Trump tinha rasgado o acordo nuclear com o Irão, assinado em 2015 por Obama. E a 5 de Novembro já entraram em vigor as sanções contra Teerão.

Trump atacou muitas empresas e os seus líderes ao longo destes dois últimos anos. Das farmacêuticas ao sector automóvel, passando pela tecnologia, muitas foram alvo de pressão para baixarem preços ou reduzirem as suas actividades fora de território norte-americano.

Essa pressão mexeu com os mercados, muitas vezes de forma negativa, mas o saldo das bolsas americanas é positivo nesta primeira metade do mandato do chefe da Casa Branca.

Nunca, nos últimos 64 anos, o S&P500 subiu tanto entre as eleições presidenciais e as intercalares. Entre as eleições ganhas por Trump, em Novembro de 2016, e as eleições para o Congresso desta terça-feira, o índice de referência americano avançou 28%. Apesar da recente correcção nas acções, nos últimos dois anos, Wall Street bateu recordes sucessivos. E houve vários episódios que revelaram a influência de Trump nos mercados, como quando em Dezembro de 2016 usou o Twitter para atacar as gigantes da aeronáutica e as aeroespaciais.

Em cima estão listados 10 dos episódios mais mediáticos das medidas de Trump que mais mexeram com as bolsas.

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